Comício republicano nos EUA: um evento "megalómano" a antecipar as intercalares

Comício republicano nos EUA: um evento "megalómano" a antecipar as intercalares

  • 09/09/2026 02:30
  • Redação

O partido Republicano dá início, esta quinta-feira, à primeira convenção intercalar da história moderna dos Estados Unidos da América.

Um evento de dois dias que se realiza na cidade de Dallas, no Texas, com Donald Trump como figura central.

Perante um Presidente que "neste primeiro ano e meio de mandato, não tem vitórias para mostrar", o especialista em assuntos internacionais Miguel Baumgartner admite um evento "megalómano", numa tentativa de conseguir "reconhecimento do partido e pôr o seu peso político nas eleições intercalares".

A dois meses das eleições intercalares, a convenção mostra os candidatos republicanos, no Estádio American Airlines Center. O evento terá também direitos televisivos em horário nobre.

Donald Trump é o orador principal na primeira noite do evento e está também prevista a sua intervenção no encerramento da convenção, numa lista de mais de 100 oradores, entre eles JD Vance, vice-Presidente norte-americano.

"Temos um Presidente que, dentro de portas, não conseguiu conter a inflação, não conseguiu resolver o problema da assistência médica, não conseguiu ter uma baixa de desemprego, os preços dos combustíveis aumentam, não se conseguiu diferenciar daquilo que é a política de Biden", descreve o analista.

Para Baumgartner, a presidência de Trump funciona como um "grande teatro", uma "encenação" comum a vários momentos do seu mandato: "A ida do diretor da CIA a Moscovo; essas encenações de que está em grandes negociações com o Médio Oriente e depois sabemos que não está; dizer que, afinal, Ormuz está aberto e depois sabemos que não está; a ida de Jared Kuchner e Witkoff à Rússia, quando sabemos que não existe, neste momento, condições para chegar a um processo de paz... tudo isto demonstra esta teatralidade que Donald Trump tem vindo a construir", defende.

Realizadas a 3 de novembro, as eleições intercalares escolhem quem integra a Câmara dos Representantes, assim como um terço dos assentos do Senado norte-americano.

Miguel Baumgartner antevê um cenário delicado para os republicanos. "As sondagens, neste momento, dizem que o partido pode perder a Câmara dos Representantes, mas não o Senado. Mas perdendo a Câmara dos representantes fica difícil [para Trump], porque vai ter ali uma voz superior", explica.

Na leitura do analista, se Donald Trump "perder a Câmara dos Representantes e o Senado, a posição e a possibilidade de impeachment é enorme". Para além disso, perdendo estes dois órgãos legislativos importantes, "poderemos ter até decisões contrárias ao próprio Presidente".

"Existe uma parte do Partido Republicano que está preocupada com estas eleições e que está preocupada com o futuro mas, ao mesmo tempo, não vê, da parte do Partido Democrata, grandes soluções que possam pôr em perigo não só as eleições deste ano, mas também as próximas presidenciais".

O resultado das eleições intercalares norte-americanas poderá ser, para Baumgartner, um indicador importante para a Europa. "A Europa precisa de uma América diferente. E acredita que pode ainda existir uma América diferente, que não é a América de Donald Trump, e espera que estas eleições intercalares possam, de alguma forma, dar a ideia de que a América quer voltar a ser a América anterior, aquela América que dizia 'eu vou proteger a Europa'", admite Baumgartner.

Questionado sobre a popularidade do Presidente norte-americano, Miguel Baumgartner admite vários cenários para a reputação de Trump dentro do partido. Se, por um lado, há "uma parte que preferia livrar-se dele e virar um pouco a página", existe outra fatia dos republicanos que vêem o atual Presidente "a ser candidato a um terceiro mandato", apesar das dificuldades legais.

"Quando Donald Trump perdeu as eleições para Joe Biden, muita gente achou que era o fim de Donald Trump. Haverá uma América que tem acesso às plataformas de comunicação e que tem a capacidade de dizer que está cansada, mas também há uma América silenciosa que vimos nas últimas eleições presidenciais. Por isso, ainda é um pouco cedo, na minha opinião, para dizer que a América está cansada de Donald Trump", reflete.

Em paralelo, Baumgartner admite ainda que o partido Democrata não tem "um projeto para a América".

"O partido teve dois maus líderes, Joe Biden e Kamala Harris, que, ao encostarem-se ao mundo 'woke', afastaram muita gente moderada, do centro moderado", diz o especialista.

"O partido democrata tentou vencer eleições batendo no desagrado ao Presidente e não tendo, efetivamente, um projeto independente, diferente e até motivacional para o povo americano", remata.

  • Fonte: Rádio Renascença
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