Tempestade Kristin. Oito meses depois ainda há 16 estradas encerradas
- 09/09/2026 07:25
- Redação
O ministro das Infraestruturas e Habitação revelou, esta quarta-feira, no Parlamento que há 16 estradas que continuam encerradas devido às tempestades que ocorreram no final de janeiro e que afetaram a região centro do país.
Na comissão eventual para a "Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência", Miguel Pinto Luz lembrou que, durante a tempestade Kristin, registaram-se 3444 ocorrências na rede rodoviária nacional e 336 correspondiam a cortes de estradas.
“Hoje, 16 continuam encerradas e quatro foram abertas com condicionamentos”, começou por elencar o ministro, que justifica a situação com o grau de destruição e o local onde ocorreram, garantindo que muitas estradas vão ter de ser construídas noutro local.
São "intervenções muito complexas, com difíceis acessos, que obrigam a sondagens do terreno, a estudos, a projetos e até a expropriações", admite. "Obras que obrigam à construção de novos troços e não de simples recuperações. Em muitas destas situações é impossível, pura e simplesmente, que a estrada volte a passar pela sua localização anterior”, refere.
Questionado pelo Partido Socialista sobre estes atrasos, Pinto Luz deu o exemplo da estrada nacional 15 em Amarante que, durante várias semanas, permaneceu instável devido à quantidade de água e onde era impossível aceder para começar a fazer os trabalhos de reparação.
“Ao quilómetro 72 e 75, o deslizamento de talude era muito grande, com uma evolução muito desfavorável. O terreno continuou a deslizar semanas depois da tempestade Kristin. Não foi possível fazer estudos geotécnicos durante semanas ou meses, porque o deslizamento continuou... temos aqui fotografias de todas essas situações”, garantiu. O PS pediu para ter acesso a esses documentos para saber o que estava a ser feito, mas o ministro diz que alguns são referentes a infraestruturas críticas e, por isso, são alvo de "algum secretismo".
“Nós temos todo o gosto em partilhar, mas temos que criar aqui regras de acesso aos documentos", diz. "São documentos que têm um nível de secretismo de Estado diferente, e, portanto, porque são infraestruturas críticas, o relatório está a ser conduzido também com a ajuda do Gabinete Nacional de Segurança e a Assembleia da República terá que decidir em que moldes é que esses documentos vão ser disponibilizados”.
No balanço feito até agora, Pinto Luz adianta que a recuperação destas vias envolveu cerca de 2 mil trabalhadores das Infraestruturas de Portugal e a um reforço das verbas da IP em 400 milhões de euros.
Quanto às telecomunicações da rede fixa, um dos operadores, a MEO, regista ainda 323 avarias, enquanto os outros dois operadores já atingiram “níveis de serviço normais”.
“O terceiro apresentava a 1 de setembro um registo de 323 avarias. Ou seja, mais de 99% das ocorrências foram resolvidas. Porém, continuam a existir cerca de 16 mil postes por repor e quilómetros de cabos junto ao solo, um processo que está longe de estar terminado”, diz o ministro das infraestruturas.
Pinto Luz garantiu, ainda, aos deputados que a reposição definitiva das infraestruturas físicas danificadas “só deverá estar concluída no primeiro semestre de 2027”.