Grupos de vítimas das escolas católicas desiludidos com visita do Papa a França
- 09/09/2026 07:58
- Redação
Os grupos que representam antigos alunos de escolas católicas francesas criticaram a escolha de sete vítimas de abusos que se vão reunir com o Papa durante a próxima visita à França, declararam hoje membros destas associações.
"Nem sequer recebemos resposta ao nosso pedido. É uma grande farsa. Não haverá cura. Estou extremamente desapontado", disse Philippe Carré, representante de uma associação que identificou mais de 300 vítimas em cerca de meia centena de escolas da rede privada católica La Salle.
Carré disse acreditar que os bispos "selecionaram deliberadamente vítimas isoladas".
"Estão a escolher indivíduos a dedo, estão a tentar excluir o coletivo", protestou Alain Esquerre, porta-voz do principal grupo de vítimas associado à escola Notre-Dame de Bétharram, localizada no sul do país.
O Papa Leão XIV vai encontrar-se com sete vítimas em 27 de setembro, em Lourdes. Entre estas está Jean-Marie Delbos, de 80 anos, antigo aluno do internato Notre-Dame de Bétharram. Mais de 200 alunos desta escola apresentaram queixas de abusos físicos e sexuais ocorridos entre 1956 e 1962.
"Não serei porta-voz de ninguém", disse o antigo aluno da escola Notre-Dame de Bétharram, na segunda-feira, à agência de notícias France-Presse (AFP).
Delbos foi o primeiro a tornar público o seu caso perante a Conferência dos Bispos de França, em Lourdes, em 2021, após a publicação do relatório Sauvé, que estimou que cerca de 330.000 menores tinham sido vítimas de abusos no âmbito da Igreja desde 1950.
A Conferência dos Bispos de França, responsável pelo processo de seleção das pessoas que se vão reunir com o Papa, afirmou ter recebido cerca de 40 pedidos, incluindo uma dezena de grupos de vítimas, para este "encontro privado" com Leão XIV.
A conferência argumentou que "haverá, de facto, membros de grupos de vítimas entre as sete" pessoas recebidas e que o grupo selecionado "será representativo".
Segundo o semanário Le Canard Enchaîné, o Papa, que visita França de 25 a 28 de setembro, tem também um encontro agendado com Jérôme Guillement. Guillement, vítima de um padre da região da Vendeia, publicou um livro sobre a sua experiência em 2023 e já tinha prestado declarações à Comissão Independente sobre Abuso Sexual na Igreja (CIASE).
Em Espanha, o Papa reuniu-se com seis vítimas de violência sexual no passado mês de junho, ocasião que também gerou críticas de importantes associações que não foram convidadas.