Dirigente da AfD à Renascença.“Só devemos admitir imigrantes que sejam úteis para os nossos objetivos”
- 06/09/2026 08:20
- Redação
Se Ulrich Siegmund é a cara da AfD que pretende iniciar a viragem política na Alemanha a partir de Magdeburgo, Hans Thomas Tillschneider é o cérebro de todo o movimento.
Nascido na Roménia, vice-presidente do partido na Saxónia-Anhalt e considerado o principal ideólogo da AfD neste estado, Tillschneider foi o redator do programa político levado às urnas. Deputado no parlamento estadual, chegou à AFD em 2013 e apresenta-se como professor universitário e doutorado em Estudos Islâmicos pela Universidade de Friburgo.
Um dos pontos fundamentais para a AfD é a questão da imigração. Qual é o problema?
Os imigrantes tentam aproveitar-se do nosso sistema de segurança social em benefício próprio e a maioria deles também é criminosa.
[NR. De acordo com as estatísticas oficiais, apenas 4,8% dos estrangeiros maiores de 8 anos residentes na Alemanha foram suspeitos de crime em 2025, não necessariamente condenados. Apenas 0,03% dos residentes estrangeiros foram suspeitos de fraude em prestações sociais em 2025]
Este tipo de imigração prejudica a Alemanha. Foi isso que Thilo Sarrazin já afirmou no seu famoso livro “A Alemanha está a autodestruir-se”. Fizemos uma má seleção dos imigrantes. Não recebemos os qualificados, mas sim os não-qualificados. Isso é um problema.
Temos de encarar a política de imigração de uma perspetiva alemã e colocar os interesses da Alemanha em primeiro lugar. Assim, no futuro, só devemos admitir imigrantes que sejam úteis para nós e para os nossos objetivos.
Mas eles trabalham nos restaurantes, nas lojas e na agricultura. Não são úteis, neste momento?
Não estou a falar dos imigrantes que trabalham em lojas e restaurantes. Estou a falar dos desempregados, dos criminosos e dos imigrantes ilegais. É desses que estou a falar.
Vamos mudar o rumo que estamos a seguir. Não posso dizer com que rapidez vamos atingir os nossos objetivos, mas vamos mudar de direção. E isso começa aqui, na Saxónia-Anhalt, na segunda-feira.
Sim, vamos conseguir. E, se não conseguirmos a maioria, todos os outros terão de se unir contra nós. Nesse caso, perderão nas eleições seguintes porque, se os democratas-cristãos forem obrigados a governar com os comunistas, isso destruirá ambos os partidos. Portanto, podemos ficar tranquilos.
Se ganharem, o que acha que o chanceler Friedrich Merz deveria fazer a nível federal?
Talvez. Mas ele nem sequer é um lame duck [líder politicamente enfraquecido]. É ainda menos do que isso. Até os democratas-cristãos têm vergonha dele. Por isso, não o convidaram a participar na campanha aqui na Saxónia-Anhalt.
(NR. Apesar do distanciamento mantido pela CDU local, Merz acabou por fazer campanha por algumas horas com o candidato Sven Schulze, na Saxonia -Anhalt, no dia 4 de Setembro]
Teremos de voltar a discutir a União Europeia e as condições em que ela funciona.