Engenheiros defendem gabinete de crise para situações de emergência

Engenheiros defendem gabinete de crise para situações de emergência

  • 09/09/2026 16:41
  • Redação

O bastonário da Ordem dos Engenheiros, Fernando de Almeida Santos, defende a criação de um gabinete de crise para situações de emergência, como a tempestade Kristin, com o apoio de soluções de engenharia.

“Devemos ter um gabinete de atuação imediata e de crise, ou seja, de intervenção em danos em infraestruturas, um gabinete de intervenção urgente em que praticamente no dia a seguir está a atuar. Como é que se faz? Temos bons exemplos na Europa e fora da Europa de bolsas de empresas que, por valor estimado em contrato têm isso pré-definido e são imediatamente chamadas. Se não atenderem, são postas fora da bolsa. Por isso, há muitas formas de gerir este assunto. Cabe ao Governo decidir, mas é uma lacuna e uma necessidade que Portugal tem”, afirma Fernando de Almeida Santos.

Se existisse o referido organismo de avaliação, o bastonário entende que o país “já poderia ter ido mais longe” na resposta ao "comboio de tempestades".

Oito meses depois da tempestade Kristin há ainda 16 estradas encerradas, o número foi revelado esta quarta-feira pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, no Parlamento.

A região Centro foi a mais fustigada e um dos municípios onde ainda hoje é difícil circular de automóvel é o município de Porto de Mós. Uma das principais vias, a Estrada Nacional 243, está interrompida devido ao abatimento do piso.

Um constrangimento com implicações diretas para os munícipes e para quem precisa de passar por Porto de Mós. O autarca Jorge Vala diz que o seu concelho está cortado a meio e que a alternativa encontrada obriga a fazer mais quilómetros, para além de que esta situação veio trazer prejuízos ao comércio local

“A Infraestruturas de Portugal criou um percurso alternativo, que tem cerca de mais de 10 quilómetros com estradas municipais muito secundárias, sobretudo para os pesados é bastante complicado. Ainda assim, para minimizar o impacto da distância ao município, ainda durante o mês de fevereiro, o município pavimentou uma estrada de ligação no território do Parque Natural, uma estrada bastante estreita, com dificuldade de acesso, mas que serve a alguma da população que trabalha ou vem para a sede do concelho, ou então para a Leiria."

"Desde o dia 28 de janeiro, temos um constrangimento enorme e uma preocupação muito grande, até porque este território é um território que também tem vindo a crescer ao nível do turismo e tem algum comércio ligado a este setor. Algum está ou fechado e outro sem grandes condições para continuar mantendo-se a estrada encerrada”, aponta.

O autarca diz ter já em mãos um plano para reabilitar a Estrada Nacional 243 no troço que abateu no seu município, mas não deixa de esconder preocupação com a demora das obras até que tudo volte à normalidade e queixa-se de demasiada burocracia.

“O próprio país, mesmo com situações de aliviar a carga burocrática, continua a ter muita burocracia associada a estes processos. Portanto, a burocracia pressupõe tempo e perda de tempo. Foi aquilo que andámos todos a fazer durante estes longos meses, uma vez que nos parece que depois do projeto concretizado, e o projeto foi concretizado dois meses depois, estava feito o resto do tempo, mais de três ou quatro meses, para ultrapassar as situações burocráticas que são demasiado”, argumenta.

Jorge Vala, que é também presidente da Comunidade Intermunicipal de Leiria, adianta ainda ser urgente a requalificação do IC8, uma das vias estruturantes da região do Pinhal Interior e que atravessa os municípios de Pombal, Ansião, Sertã e Proença-a-Nova. Para além dos danos provocados pelas tempestades, esta via rodoviária carece de várias intervenções ao nível da segurança. O Governo já adjudicou o projeto, agora falta ver as obras numa estrada com elevada taxa de sinistralidade.

“Aquilo que nós dizemos é que não é possível continuarmos a assistir a acidentes graves, com mortes, numa estrada que tem uma pressão muito grande e que infelizmente continua a ter acidentes graves. Nas zonas críticas sugerimos que sejam colocados separadores centrais de cimento”, refere.

A requalificação do IC8 foi um dos temas abordados na reunião desta terça feira da Comunidade Intermunicipal de Leiria.

É uma obra que vem a ser prometida por sucessivos governos”, frisa ainda Jorge Vala.

  • Fonte: Rádio Renascença
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