Governo espanhol recebeu, um dia antes, alerta sobre entrada de 70 mil migrantes em Ceuta
- 09/09/2026 20:14
- Redação
Seis semanas após a vaga migratória, estima-se que tenham morrido 140 pessoas e mais de 10 mil, incluindo menores, continuam a morar em tendas improvisadas, nas ruas ou praias.
Em reação, o Governo espanhol disse não ter recebido qualquer relatório ou alerta oficial dos serviços de informações sobre "possíveis tentativas de entrada" no enclave espanhol no norte de África, insistindo que assim ninguém poderia prever o ocorrido.
Os serviços não "anteciparam a magnitude e natureza do que acabou por acontecer, um fenómeno invulgar que não se assemelha com as crises migratórias conhecidas até agora", defendeu o delegado do Governo de Ceuta, Miguel Ángel Pérez Triano, e outras fontes da Presidência.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, também referiu que "não tinha conhecimento de qualquer informação que apontassem para aquela magnitude".
"Nas redes sociais, há um apelo para um assalto pela vedação e por mar amanhã às 20h00. Há dois grupos diferentes com um total de 180 mil seguidores. Para que tenhas uma ideia do alcance da difusão", lê-se numa mensagem enviada por WhatsApp às 13h52 de 29 de julho", lê-se no mesmo jornal citando a mensagem enviada pelos serviços de informações espanhóis.
Porém, um agente da Guarda Civil espanhola respondeu aos alertas pelas 12h59 do mesmo dia: "Perdoa-me, mas este assunto apanhou-me desprevenido e não tenho facilidade em resolver isto agora", indicando-lhe, depois, por mensagem quem estava responsável pelo turno.
A avalanche de migrantes sobre a fronteira marítima e terrestre começou pelas 11h00 do dia 30 de julho.
Nesse mesmo dia, o Centro de Inteligência das Forças Armadas (CIFAS) de Espanha constatou, duas horas depois, a "negligência e passividade" das forças de segurança de Marrocos.
No entanto, Marrocos tinha previsto reforçar a fronteira com mais de mil polícias e militares naquele dia, consta num relatório consultado pelo mesmo jornal espanhol.
Em comunicado, o governo regional referiu-se assim à decisão do executivo presidido por Pedro Sánchez de montar várias tendas nas imediações do Cais de Poniente, a fim de disponibilizar mais mil lugares para acolher migrantes que entraram no dia 30 de julho e continuam sem abrigo.
A entrada em massa de migrantes em Ceuta levou as autoridades espanholas a reforçarem os dispositivos de segurança e a coordenarem esforços com Marrocos para acelerar o regresso dos migrantes ao país vizinho.
O episódio constitui um dos maiores movimentos migratórios registados na fronteira terrestre entre Marrocos e a cidade autónoma espanhol, situada no norte de África, dos últimos anos.