BCE pode voltar a subir juros, DECO preocupada com famílias em "grandes dificuldades"

BCE pode voltar a subir juros, DECO preocupada com famílias em "grandes dificuldades"

  • 10/09/2026 01:10
  • Redação

A presidente do BCE deixou entender isso mesmo na última reunião de governadores, em julho. Na altura, Christine Lagarde disse que em setembro o BCE teria mais dados para tomar a decisão sobre as taxas diretoras que, por isso, seria possível que decidisse aumentá-las.

A confirmar-se o aumento de 25 pontos base, a taxa de depósito, a principal taxa de referência da política monetária, passa para 2,5% e este será o segundo aumento das taxas desde 2023 (o primeiro foi no passado mês de junho).

Um agravamento das taxas diretoras acaba por refletir-se, mais cedo ou mais tarde, na prestação da casa, o que pode significar mais um peso para muitas famílias, avisa Natália Nunes, coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO, a Associação para a Defesa do Consumidor.

Natália Nunes avisa que é fundamental as famílias “não entrarem em situação de incumprimento ou de terem que recorrer a cartões de crédito para manter em dia a prestação de crédito, que é algo que nós vemos com muita, muita frequência o que acaba por ainda agravar mais a situação financeira das famílias”.

Trata-se de uma situação preocupante, porque “acaba por ser prejudicial para quem já tem aqui uma taxa de esforço muito elevada”.

Ao Gabinete de Proteção Financeira da DECO continuam a chegar muitos pedidos de ajuda, por causa do agravamento das dificuldades financeiras.

Natália Nunes diz que, ao contrário de anos anteriores, as famílias não apontam uma causa específica para o facto de o dinheiro não chegar até ao final do mês e acabam por recorrer ao crédito, encontrando-se, por isso, numa “situação muito complicada”. São famílias “entre os 40 e 50 anos de idade e que estão a trabalhar”, sublinha.

“Nós verificamos que as famílias nos vêm dizer que têm cinco, seis créditos pessoais, cartões de crédito e querem ajuda para renegociar, para fazer consolidação”, diz Natália Nunes, que sublinha que ao contrário do que acontecia nos últimos anos, “em que as famílias sabiam as razões que estavam na origem das suas dificuldades: uma situação de baixa médica, desemprego ou divórcio, agora quando vamos ver, não há uma alteração daquilo que são os seus rendimentos”.

Tendo em conta os pedidos de ajuda que chegam à DECO, Natália Nunes sublinha que em causa está “o aumento do custo de vida: o aumento do cabaz alimentar, o aumento da fatura dos combustíveis, o aumento da habitação, tudo junto está a contribuir para as grandes dificuldades que hoje as famílias têm”.

São dificuldades que não atingem apenas aqueles que têm uma renda ou uma casa para pagar, diz Natália Nunes, que aponta o caso de um casal que recorreu à DECO porque o dinheiro não tem chegado para pagar as despesas básicas.

“Tem rendimentos de mil euros, eu bem sei que são rendimentos muito baixos, mas esta família já não tem que suportar o custo com a habitação, no entanto, acaba por nos dizer que tem uma taxa de esforço de 87% porque, entretanto, para fazer face às despesas da alimentação e despesas do dia-a-dia, acabou por recorrer a cartões de crédito e crédito pessoal”, relata a coordenadora do Gabinete de Proteção Financeira da DECO.

De sublinhar que a taxa de esforço não deveria ultrapassar os 35%, ou seja, de acordo com o recomendado pela DECO, o peso das prestações a pagar não deve ultrapassar os 35% do rendimento líquido mensal.

  • Fonte: Rádio Renascença
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