Filme "Santo António" é uma história portuguesa em que a tradição é desafiada pela modernidade
- 10/09/2026 02:25
- Redação
"Santo António - O Casamenteiro de Lisboa" estreia-se esta quinta-feira e o elenco do filme diz que se trata de uma obra "verdadeiramente portuguesa" e, apesar de todo o drama e comédia, conta uma história "altamente real" sobre os desafios de gentrificação da Lisboa moderna.
A narrativa, que navega entre a comédia social e o drama, acompanha Carmo e Valentim, funcionários da Câmara Municipal de Lisboa que organizam os casamentos de Santo António há décadas. Só que um grupo de investidores estrangeiros ameaça modernizar a tradição de tal forma que se torne irreconhecível.
Ana Bola diz que a essência de Lisboa está a ser "desleixada" e "vendida". A atriz diz que "o mundo mudou e é importar investir nisso", contudo "a essência pode cohabitar perfeitamente com a modernidade", algo que não está a acontecer neste momento.
E "Santo António" debruça-se, precisamente, sobre isso. João Catarré diz ao Watch Party "que todas as cidades europeias hoje em dia estão descaracterizadas da sua identidade. Lisboa é mais uma que vai por esse caminho".
Nuno Nolasco complementa que "se há coisa que é mesmo difícil pensar que deixará de ser portuguesa é os santos e as festividades", o que acaba por levar ao conflito da longa-metragem: "E se até isto for vendido e gentrificado?", refere.
"Cada casal à sua maneira já estão todos em rutura e a sofrer dessa gentrificação. E vamos tentar ver como a tradição do Santo António os pode recuperar e salvar" sublinha.
Nuno Nolasco interpreta Tiago, um "empreendedor com ideias para muitos negócios, todos eles falhados". Vê no casamento com a sua Sofia uma solução para os problemas financeiros, "mas nunca no amor".
Já João Catarré faz de António, que está do lado oposto. É "um puro lisboeta de bairro" que é "leal à sua parceira", a Fátima.
"Quando comecei à construção da personagem com o Ruben Alves, foi muito por aí. Todas as escolhas que faz revelam lealdade. É um indivíduo que por amor, chega a usar uma pulseira", avança.
Já Ana Bola é Maria, "uma mulher popular de Alfama, que tem a mania das grandezas". "Ela não teve uma vida fácil e o sonho dela é casar as duas filhas e engendrou os casamentos", conta.
A atriz partilha que foi "uma maravilha" trabalhar com Ruben Alves, um "excelente realizador" cujo trabalho já acompanhava.
"Quando li o guião achei que já tinha lá tudo. Quando tens um guião de comédia, que é difícil de escrever, e tens lá tudo, só se os atores e os técnicos forem grandes canastrões é que não sai um bom filme", brinca.
Ana Bola acredita que "Santo António" seja "um filme não só muito divertido, mas com algumas nuances", incluindo "chamadas de atenção" e personagens "com camadas, temperamentos e fragilidades".
"E o Ruben fez algo muito giro que tem a ver com a nossa melancolia. Os portugueses são muito divertidos, mas também são um povo muito melancólico", acrescenta.
Depois da estreia nas salas portuguesas, o filme vai depois chegar ao streaming, na Disney+. É a primeira vez que uma longa-metragem portuguesa chega à plataforma.
Para João Catarré "é motivo de orgulho" e acredita que faz particular sentido, já que Ruben Alves "é um realizador mágico com um ponto de vista muito sensível e especial sobre os portugueses".
"Se há pessoa que encaixa bem para entrar neste catálogo Disney, é o Ruben Alves. Tem estas características mágicas", subscreve também Nuno Nolasco.