1.º e 2.º ciclos vão ser fundidos. Como vai funcionar?

  • 10/09/2026 04:00
  • Redação

É já daqui a um ano. O Ministério da Educação vai testar a fusão do primeiro e segundo ciclos de ensino.

A medida está no programa do Governo, mas ainda não foi aplicada. O modelo começa a ser experimentado no próximo ano letivo.

Serve para criar uma continuidade nos primeiros seis anos de escolaridade. Atualmente, uma criança passa os quatro primeiros anos com um professor titular e, quando chega ao quinto ano, muda de escola, passa a ter vários professores, mais disciplinas, novos horários e uma forma diferente de avaliação.

Essa transição pode ser prejudicial, sobretudo para alunos que apresentam dificuldades de aprendizagem ou têm menos apoio familiar.

Portanto, juntando os dois ciclos, o objetivo é tornar esta passagem mais gradual.

Pode não ser. O modelo poderá passar por equipas mais estáveis, formadas por professores generalistas e professores de áreas específicas, com maior articulação entre si.

Esta fusão deverá ser acompanhada por uma revisão das aprendizagens essenciais e dos currículos, para que os conteúdos deixem de estar tão separados entre dois ciclos e sejam distribuídos de forma progressiva ao longo dos seis anos.

Portanto, é, sobretudo, um objetivo pedagógico: reduzir a rutura entre o quarto e o quinto ano e garantir um acompanhamento mais coerente dos alunos.

Por exemplo, em Espanha. A educação primária tem seis anos, normalmente entre os 6 e os 12 anos. E a passagem para um nível diferente de ensino acontece mais tarde.

Na Finlândia, o modelo vai mais longe. Os alunos frequentam uma estrutura integrada de educação básica durante nove anos, aproximadamente entre os 7 e os 16 anos.

Embora haja professores especializados ao longo do percurso, não existe uma divisão formal equivalente à passagem portuguesa do quarto para o quinto ano.

Também na Suécia, Noruega, Dinamarca e em vários países da Europa Central e de Leste, a escolaridade obrigatória inicial está organizada em estruturas contínuas ou em ciclos mais longos.

É caso para dizer que Portugal tem uma organização curricular pouco comum, quando comparado com o resto da Europa.

Os países nórdicos são o melhor exemplo do sucesso deste modelo. Por exemplo, a Noruega tem 0% de taxa de retenção de alunos. Além disso, conseguiu superar a média da OCDE na diferença de desempenho em matemática entre alunos socioeconomicamente mais desfavorecidos e alunos de meios mais favorecidos.

Outro exemplo, é a Finlândia. A escolaridade básica evita uma seleção precoce dos alunos em percursos diferentes. Resultado: os finlandeses conseguem combinar resultados académicos elevados com diferenças relativamente pequenas entre alunos e escolas.

O verdadeiro benefício pode estar menos numa subida imediata das notas e mais na redução das dificuldades sentidas no quinto ano, na estabilidade dos professores e na capacidade de detetar mais cedo problemas de aprendizagem.

  • Fonte: Rádio Renascença
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