"Perda de tempo". Juíza avisa Sócrates para não "repisar" assuntos no regresso ao tribunal
- 10/09/2026 05:25
- Redação
José Sócrates regressou, esta quinta-feira, ao Campus de Justiça para mais um depoimento referente ao "Processo Marquês". No arranque dos trabalhos, o antigo primeiro-ministro começou o seu depoimento a elencar as divergências que tem com o tribunal, mas foi logo advertido pela juíza Susana Seca.
Sócrates pretendia falar sobre alguns tópicos do processo em que é visado, como "o TGV", "o dinheiro das casas na Venezuela", bem como "rebater declarações de inspetores tributários" já ouvidos como testemunhas. Susana Seca sublinhou não fazer sentido "repisar temas sobre os quais já falou" porque "seria uma perda de tempo". Sócrates ripostou, garantindo ser esta a melhor ocasião para voltar a falar porque "muito já aconteceu no julgamento", sublinhando não ter de explicar ao tribunal porque considera ser este o melhor momento para isso.
"O objeto do processo não é a tramitação processual, mas os factos da acusação", avisou a juíza, depois do antigo político sublinhar que o processo nasceu de uma alteração de crimes feito pelo Tribunal da Relação, sem que tenha direito a defesa, após Ivo Rosa não ter considerado os factos para o levar a julgamento.
O inquérito do processo Operação Marquês foi aberto em 2013, passou a ser do conhecimento dos arguidos em novembro de 2014 e foi encerrado em outubro de 2017, com a dedução pelo Ministério Público da acusação contra José Sócrates e outros arguidos.
Depois de uma fase de instrução que se prolongou por mais de dois anos, o julgamento do antigo chefe de Governo e outros 20 arguidos por corrupção e outros crimes economicofinanceiros começou em 3 de julho de 2025 no Tribunal Central Criminal de Lisboa, faltando ouvir dezenas de testemunhas.
À chegada ao Campus da Justiça, em Lisboa, José Sócrates, sem advogado desde novembro de 2025, criticou a juíza por "não querer dar tempo nenhum" para a defesa se preparar.
"Como todos sabem, fiquei sem advogado. E essa responsabilidade não é minha, o meu advogado decidiu renunciar. E, quando o advogado renuncia, é em função da sua própria consciência. Não fui consultado para isso, respeitei apenas isso", começou por dizer.
"Já nomeei o doutor Filipe Batista. O doutor Filipe Batista veio aqui dizer tenho aqui uma procuração passada por José Sócrates e estou disponível para aceitar esta incumbência desde que me deem 10 dias de preparação da defesa. Fiz isso para ir ao encontro do tribunal. A senhora juíza não quer dar tempo nenhum a ninguém", alegou.