“Vamos fazer uma inesquecível jornada”. Um milhão de crianças reza o Terço pela paz a partir de Fátima

“Vamos fazer uma inesquecível jornada”. Um milhão de crianças reza o Terço pela paz a partir de Fátima

  • 10/09/2026 09:01
  • Redação

Fátima vai voltar a ser, em outubro, ponto de encontro de uma oração que pretende chegar aos quatro cantos do mundo. Durante sete dias, entre 1 e 7 de outubro, crianças de diferentes países são convidadas a rezar o Terço pela paz, numa iniciativa da Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) que este ano cumpre a sua 21.ª edição consecutiva.

Em Portugal, o momento central está marcado para 7 de outubro, às 18h30, na Capelinha das Aparições. Um grupo de crianças rezará o Terço em união com milhares de outras que, nesse mesmo período, estarão reunidas em famílias, escolas, paróquias e comunidades.

A oração será presidida pelo bispo de Leiria-Fátima, D. José Ornelas, e terá transmissão em direto pela Rádio e TV Canção Nova e através das redes sociais.

A dimensão internacional da iniciativa é hoje uma das suas principais características. Catarina Martins de Bettencourt, diretora da Fundação AIS em Portugal, citada em comunicado, explica que a campanha deixou há muito de estar circunscrita a uma região ou a um determinado tipo de comunidade.

"Temos comunidades que rezam com as suas crianças em África, na Europa, na Ásia, nas Américas, na Austrália…", afirma.

A responsável sublinha que a oração acontece em realidades muito diferentes, envolvendo não apenas as estruturas da Igreja, mas também famílias e instituições educativas. Há crianças que rezam com os pais, outras com professores e catequistas, e outras ainda em pequenas comunidades onde a presença humana é muito reduzida.

"Temos grupos de crianças que rezam em família ou com os seus pais ou professores e catequistas nas paróquias e colégios em grandes cidades, mas também em aldeias, por vezes em lugares isolados, onde vivem muito poucas pessoas", explica Catarina Martins de Bettencourt.

A história desta corrente de oração começou em 2005, em Caracas, na Venezuela, depois de um grupo de crianças se ter reunido para rezar o Terço num pequeno santuário.

A iniciativa foi crescendo ao longo dos anos e ganhou uma dimensão internacional. Atualmente, os 24 secretariados da Fundação AIS estão mobilizados para esta jornada, que procura reunir um milhão de crianças numa mesma intenção.

O crescimento da campanha é visível nos números. Em 2023, pela primeira vez, foram registadas mais de um milhão de crianças em todo o mundo. Em 2022, tinham participado cerca de 872 mil.

Em Portugal, estão já inscritos 1.497 grupos para a edição deste ano. Na campanha de 2025, foram registados 25.617 participantes no país.

Para Catarina Martins de Bettencourt, estes números refletem uma adesão que tem crescido de forma consistente e que está diretamente ligada à vontade das comunidades de responderem, através da oração, a um mundo marcado pela violência.

"A iniciativa tem vindo a crescer de ano para ano, envolvendo cada vez mais comunidades que se associam à Fundação AIS nesta oração que é um grito pelo fim das guerras, da violência, dos conflitos armados e do terrorismo", afirma.

O apelo à paz ganha particular significado para uma organização que acompanha comunidades cristãs em cerca de 140 países.

A Fundação AIS apoia populações que enfrentam pobreza, perseguição religiosa, terrorismo e conflitos armados. É a partir desta realidade que a organização enquadra também a iniciativa das crianças.

A oração é entendida como complemento à ajuda concreta prestada às comunidades que sofrem. «Só Deus pode trazer a paz», sublinha a Fundação AIS, defendendo que também através da oração é possível contribuir para esse caminho.

É, por isso, que o Terço de outubro é apresentado como uma grande súplica pelo fim da violência, mas também como uma forma de aproximar as crianças da realidade de milhões de pessoas que vivem em contextos de guerra e perseguição.

A escolha de Fátima para acolher o momento central da iniciativa está diretamente ligada à mensagem deixada por Nossa Senhora em 1917.

Na Cova da Iria, Nossa Senhora pediu aos três pastorinhos que rezassem o Terço todos os dias pela paz no mundo. Mais de um século depois, é precisamente esse apelo que a Fundação AIS pretende colocar novamente no centro de uma oração feita pelas crianças.

A data escolhida reforça essa ligação. Outubro é tradicionalmente dedicado ao Rosário e 7 de outubro é a memória litúrgica de Nossa Senhora do Rosário.

A Capelinha das Aparições será, assim, o epicentro espiritual da jornada em Portugal. D. José Ornelas presidirá à oração, que poderá ser acompanhada à distância através da transmissão da Rádio e TV Canção Nova e das redes sociais.

A proposta de rezar o Terço pela paz encontra também eco no magistério de São João Paulo II. Na carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, o Papa apresentou o Rosário como uma «oração de paz», precisamente por conduzir à contemplação de Cristo, o "Príncipe da Paz".

A iniciativa pretende transmitir às crianças esta dimensão do Rosário: uma oração mariana centrada em Cristo e que pode ajudar a cultivar a paz no coração, nas famílias e nas comunidades.

A campanha deste ano conta ainda com uma mensagem do Cardeal Kurt Koch, presidente internacional da Fundação AIS, que convida as crianças a rezarem entre 1 e 7 de outubro.

Partindo das palavras de Nossa Senhora em Fátima — "Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará!" —, o cardeal relaciona o Coração Imaculado de Maria com uma vida aberta ao Espírito Santo e orientada para Jesus.

Kurt Koch destaca também aquilo que considera ser uma característica própria da oração das crianças: a sua simplicidade e confiança. Por isso, desafia famílias, escolas, paróquias e jardins de infância a encontrar formas criativas de participar.

Nem é necessário rezar o Rosário completo. Uma dezena, rezada individualmente ou em grupo, pode ser suficiente para que uma criança se associe à iniciativa.

Em Portugal, a Fundação AIS quer que a oração não fique limitada à Capelinha das Aparições. O objetivo é envolver o maior número possível de comunidades ao longo dos sete dias da campanha.

Catarina Martins de Bettencourt deixa, por isso, um apelo direto às famílias e às comunidades cristãs, pedindo que cada pessoa ajude a levar a iniciativa até às crianças.

"Quero deixar aqui o desafio a todos para nos ajudarem nesta iniciativa. Juntem-se a nós, ajudem-nos, falem com o vosso pároco, com os professores dos vossos filhos e netos, mobilizem as crianças da catequese, das escolas, mobilizem os grupos a que pertencem", afirma.

A diretora da Fundação AIS em Portugal sublinha que não é necessário esperar pelo dia 7 de outubro. Cada comunidade poderá escolher o momento mais conveniente entre 1 e 7 de outubro, permitindo integrar a oração nas atividades das paróquias, escolas ou grupos de catequese.

O desejo é que esta semana seja vivida como uma verdadeira mobilização nacional.

"Vamos fazer aqui em Portugal uma inesquecível jornada de oração do Terço com as crianças e pela paz no mundo", desafia.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: