Crise de Ceuta: Rangel garante que “Schengen não estava em causa naquela altura”
- 10/09/2026 11:20
- Redação
Ouvido no Parlamento, na Comissão de Assuntos Europeus, Paulo Rangel foi questionado sobre a posição de Portugal e a recusa em assinar a carta que foi iniciada pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, cujo país suspendeu temporariamente as regras do espaço Schengen em relação a Espanha.
"Nós não apoiámos porque achámos que Schengen não estava em causa naquela altura e continuamos a achar, mas logo dissemos, para além disto que aqui foi sublinhado, que era uma ameaça extremamente grave", disse Rangel, adiantando que Portugal sempre esteve de acordo com a reunião, com caráter de urgência, dos ministros europeus do Interior .
"Não é não assinar essa carta, porque ninguém foi convidado para assinar essa carta. Essa carta é de um grupo de 22 que já pré-existe. Enfim, isto também é uma coisa que não foi explicada e, porventura, também é uma coisa que as pessoas não têm de saber, mas ele já pré-existe.
Mas o que eu estou a dizer é: foi a França e Portugal, porque são os países que têm fronteiras terrestres com a Espanha e que, obviamente, têm um sentido de responsabilidade grande. Mas nós, logo nessa manhã, sinalizámos à Comissão Europeia, ao Conselho da União Europeia, à Itália e também à Espanha que éramos totalmente a favor da reunião de ministros do Interior", referiu.
Rangel lembrou ainda que, tal como foi dito por Luís Montenegro naquela altura, o Governo condena qualquer ação que tenha o efeito de chamada , e referiu que a carta dos 22 Estados-membros é uma reação às políticas de Pedro Sánchez.
"Esta reação dos 22, na verdade, não era por causa de Schengen. Na verdade, era por causa da regularização extraordinária que o Governo espanhol tinha feito e que Portugal sempre achou que não era uma medida adequada nem prudente, mas, claro, isto é uma matéria que só os espanhóis e o Governo espanhol é que podem responder por ela", disse.
Paulo Rangel quis ainda deixar claro que Portugal é " totalmente solidário com a Espanha na defesa da sua integridade territorial e, portanto, nenhuma reclamação sobre o território de Ceuta ou de Melilla e outros mais pequenos que lhe são adjacentes deve ser posta em questão ".
O ministro dos Negócios Estrangeiros elogiou ainda o Governo de Marrocos, que tem tido uma posição importante no sentido de travar os fluxos migratórios para a Europa.
"Também reconhecemos uma coisa que na Europa não se está a reconhecer e que, meus amigos, é bom que se reconheça. Marrocos tem feito um trabalho extraordinário de contenção dos fluxos migratórios. E isto não está a ser dito por ninguém nas euforias ideológicas do momento", rematou.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas entraram ilegalmente na cidade espanhola de Ceuta, a nado e a partir de Marrocos .
O episódio aconteceu depois de o Supremo Tribunal espanhol restringir, no início daquele mês, as devoluções a quente de migrantes intercetados no mar e de Marrocos ter aliviado o controlo da fronteira.
Durante esses dias, Paulo Rangel diz que manteve contacto próximo com os seus homólogos espanhol e marroquino e elogia José Manuel Albares, que, segundo o ministro, sempre foi transparente e não escondeu informação sobre a situação.
"Estive em permanente contacto com o meu homólogo espanhol e com o meu homólogo marroquino. E devo dizer que, relativamente à Espanha, isso também tem de ser dito em abono do seu Governo, que a informação que nos foi dada foi totalmente fiável e foi completamente transparente e muito abundante ", referiu o ministro dos Negócios Estrangeiros no Parlamento.