Governo sabia desde julho que "seria possível" atribuir bónus aos pensionistas

Governo sabia desde julho que "seria possível" atribuir bónus aos pensionistas

  • 10/09/2026 14:19
  • Redação

O Governo já sabia desde julho que poderia ser possível atribuir, pelo terceiro ano consecutivo, o bónus extra aos pensionistas, disse esta quinta-feira aos jornalistas o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

A decisão de anunciar apenas esta semana, no debate da moção de censura, deveu-se ao facto de saber aproveitar a oportunidade, afirmou Paulo Rangel, no Parlamento.

“Nós, desde o final de julho que temos a perspetiva de que seria possível, queríamos ter ainda mais confirmação e com certeza que em setembro iríamos anunciar isso”, indicou Paulo Rangel, acrescentado que “se aproveitou esta oportunidade, em que havia um debate sobre a governação, para dizer nós vamos conseguir este ano fazer o que fizemos nos anos anteriores”.

“Houve oportunidade e não oportunismo, porque isso seria chegar aqui e apresentar medidas demagógicas, estas medidas estão em linha sempre com aquilo que fez este Governo”, referiu o ministro.

“Oportunista seria vir agora mexer no ISP que muitos querem. Isso é que era uma resposta oportunista”, adiantou.

No início deste mês, o Governo entregou no Parlamento o Quadro de Políticas Invariantes 2027 que inclui uma previsão do impacto das principais despesas e receitas do Estado relacionadas com medidas de política económica ou setorial já conhecidas e cujos efeitos se estendem ao próximo ano. O Governo antecipa que, sem contar com a eventual adoção de novas medidas de política para 2027, as contas públicas tenham no próximo ano de acomodar cerca de 4,8 mil milhões de euros adicionais.

O ministro dos Negócios Estrangeiros lembra que o Governo sempre disse que se houvesse “folga” orçamental, haveria de novo o bónus e não entende as críticas ao executivo.

“Eu digo aqui, sinceramente, custa-me ouvir isso, como é que se pode dizer mal de um Governo que disse sempre, a nossa prioridade são os pensionistas que recebem menos e as famílias a aliviar o seu esforço fiscal. Se fizemos isso em 2024, fizemos em 2025 e agora, graças à nossa gestão orçamental, sabemos que é possível, mantendo o equilíbrio, fazer em 26, sinceramente, isto não pode haver maior consistência”, disse Paulo Rangel.

Paulo Rangel reconhece que o aumento das taxas de juro anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) são sempre “medidas difíceis”, mas não quis comentar se são as medidas necessárias nesta altura.

No entanto, considerou que o fim das guerras, quer na Ucrânia quer no Médio Oriente, podem travar a subida dos preços e levar o BCE a ficar por aqui no aumento das taxas de juro.

“Do ponto de vista geopolítico, é muito importante que haja um desanuviamento, que haja a cessação das hostilidades para que os preços possam baixar e, na verdade, não seja necessária, sob o ponto de vista da Banco Central Europeu, mais nenhuma subida de juros”, disse.

  • Fonte: Rádio Renascença
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