11 de Setembro: 25 anos depois, a cruz entre os destroços

11 de Setembro: 25 anos depois, a cruz entre os destroços

  • 11/09/2026 01:48
  • Redação

Os atentados de 11 de setembro de 2001 aconteceram há 25 anos. Eu não estava em Nova Iorque naquele dia, mas tive oportunidade de passar por aquele lugar algum tempo depois e de sentir, de uma forma muito particular, a dimensão de uma tragédia que marcou profundamente os Estados Unidos e o mundo.

Em agosto de 2002, a caminho da Jornada Mundial da Juventude em Toronto, no Canadá, onde nos reuniríamos com o Papa João Paulo II, fui recebido pela comunidade portuguesa de Newark. Guardo dessa passagem não apenas a hospitalidade dos nossos compatriotas, mas também o ambiente que encontrei.

Ao visitar o Ground Zero, ainda se sentia a dimensão da tragédia e o cheiro a queimado que permanecia no ar. Aquele lugar, cenário de uma das maiores catástrofes da história recente, estava marcado pela destruição e pela memória de milhares de vidas perdidas. O grupo de jovens onde estava integrado juntou-se em oração e rezámos pelas vítimas e por todo o sofrimento provocado pelos atentados.

No meio daquela imensa destruição, uma imagem ficou particularmente gravada na minha memória: uma cruz erguida entre os destroços. A chamada Cruz de Ground Zero tinha sido encontrada dois dias depois dos atentados, a 13 de setembro de 2001, pelo trabalhador Frank Silecchia. Tratava-se de vigas de aço que, entre toneladas de metal retorcido e ruínas, tinham adquirido a forma de uma cruz. Para muitos dos que ali trabalhavam, tornou-se um símbolo de fé, consolação e esperança. Quando a vi, pensei que, no meio de tudo aquilo, aquela cruz parecia afirmar que nem tudo estava destruído e que, mesmo perante uma dor imensa, ainda era possível acreditar. Durante o longo período de recuperação, tornou-se também um lugar de oração e de encontro, onde o padre franciscano Brian Jordan celebrou missas e acompanhou espiritualmente muitos dos que procuravam algum conforto.

Mas, quando hoje recordo aquela passagem por Nova Iorque, não me lembro apenas dos escombros, lembro-me sobretudo das pessoas. Americanos e portugueses transmitiam, apesar da enorme desgraça, uma extraordinária vontade de continuar. Por todo o lado viam-se bandeiras norte-americanas. Havia dor e revolta, naturalmente, mas também uma determinação que parecia dizer: estamos feridos, mas estamos de pé. Foi essa dimensão humana que mais me marcou.

Vinte e cinco anos depois, recordar o 11 de setembro é recordar as vítimas e as suas histórias, as famílias que ficaram e uma ferida que o tempo não apaga. Mas a memória não deve servir para alimentar o ódio. Deve antes ajudar-nos a escolher a paz, o diálogo e o respeito pela vida humana. Nenhuma causa, nenhuma ideologia, nenhuma religião ou diferença entre povos pode justificar a violência contra inocentes.

Vivemos hoje num mundo onde continua a ser fácil dividir, desconfiar e responder à violência com mais violência. Talvez por isso a memória daquele dia continue a ser tão importante. Não apenas para lembrar o que aconteceu, mas para pensar no mundo que queremos construir.

Da minha passagem por Ground Zero ficou-me uma imagem que o tempo não apagou: uma cruz no meio dos destroços. E talvez seja esse o significado mais profundo que hoje encontro nela: mesmo quando tudo parece destruído, pode permanecer um sinal de esperança. Para quem acredita, uma esperança que nos lembra que a última palavra não deve pertencer à violência nem ao ódio, mas à vida, à paz e à humanidade.

  • Fonte: Rádio Renascença
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