Caso da esquadra do Rato não abala credibilidade da PSP, defende especialista
- 11/09/2026 03:14
- Redação
Dois agentes da PSP da esquadra do Rato, em Lisboa, estão acusados de crimes de tortura e violação, num processo que envolve alegadas agressões a pessoas detidas.
As vítimas eram, sobretudo, pessoas em situação de particular vulnerabilidade, toxicodependentes, pessoas sem-abrigo, suspeitos de pequenos delitos e cidadãos estrangeiros, alguns em situação irregular em Portugal.
Apesar da gravidade das acusações, Hugo Costeira entende que o caso não significa necessariamente uma perda de confiança na PSP. O especialista em segurança e ex-presidente do Observatório de Segurança Interna considera importante o facto de ter sido a própria instituição a denunciar e investigar os comportamentos dos agentes. "Eu acho que as pessoas até olham para a polícia de uma forma mais positiva, porque acaba por ser a própria polícia que expõe estas situações e que faz uma purga dentro dos seus.”
Para Hugo Costeira, a forma como a PSP reagiu ao caso é determinante do ponto de vista da credibilidade da instituição, “independentemente disto ser uma situação muito grave e muito preocupante, acho que é de louvar a atitude da própria polícia, a forma como o processo ocorreu.”
O especialista considera que a resposta institucional distingue este caso de uma eventual tentativa de ocultação de comportamentos ilícitos e, por isso, a reputação da polícia está intacta e até reforçada. "Reputacionalmente, entendo que a polícia saiu bem desta situação e sai reforçada em termos de credibilidade, porque uma coisa era esconder, outra coisa era denunciar, publicar, fazer a investigação, fazer as detenções, que é sempre difícil", assegura.
No entanto, e para Hugo Costeira, a credibilidade da PSP também depende da capacidade de prevenir situações semelhantes no futuro. Nesse sentido, defende um acompanhamento psicológico permanente dos agentes ao longo da carreira. "Nós não podemos permitir que agentes de uma força de segurança passem 20 ou 30 anos ao serviço do Estado sem nunca serem acompanhados do ponto de vista psicológico", defende.
Para Hugo Costeira, o caso deve, por isso, servir não apenas para responsabilizar quem tenha cometido crimes, mas também para promover mudanças dentro da PSP e reforçar os mecanismos de acompanhamento dos agentes, ao longo de toda a sua vida profissional.
"Prestamos um péssimo serviço a qualquer cidadão que se queira candidatar a uma força de segurança se não lhe conseguirmos garantir, ao longo da sua vida, um apoio psicológico constante, merecido, gratuito, eficaz ao longo da vida deles", reforça.