Quantos alunos vão começar as aulas sem professores?

  • 11/09/2026 03:41
  • Redação

É já esta sexta-feira. Arranca o novo ano letivo e uma vez mais sem todos os professores colocados.

As estimativas apontam para cerca de 70 mil. Um problema que se sente sobretudo na Grande Lisboa e na Península de Setúbal, onde se concentra cerca de metade das necessidades.

A principal explicação está no desencontro entre o local onde vivem os professores disponíveis e as regiões onde as escolas mais precisam deles.

O ministro da Educação, Fernando Alexandre diz que muitos dos mais de 20 mil docentes profissionalizados que ainda não têm colocação vivem no Norte e no Centro do país. Mas as necessidades concentram-se sobretudo na Área de Lisboa, Setúbal e também em algumas zonas do Alentejo e do Algarve.

Ou seja, aceitar a colocação numa escola a centenas de quilómetros de casa significa, para muitos professores, suportar custos adicionais com uma segunda habitação, pagar deslocações regulares e afastar-se da família.

Portanto, Lisboa e Setúbal não são as únicas regiões afetadas, mas é aí que o problema se sente com maior intensidade. Porque há muitas escolas e alunos, o custo da habitação é mais elevado e os professores disponíveis vivem muito longe. Logo, recusam a colocação.

Serão mais de dois mil. A 1 de setembro, a Fenprof contabilizava 2.650 horários em contratação de escola, correspondentes a mais de 50 mil horas letivas. Desse total, 2.152 eram horários completos e anuais.

A 7 de setembro, a uma semana do arranque das aulas, o ministro da Educação falava em mais de dois mil horários por preencher.

Um número que não é definitivo, porque os horários estão em permanente atualização: alguns são preenchidos, outros são retirados ou reformulados.

Cerca de 70 mil. É esta a estimativa de alunos que poderão iniciar o ano letivo sem professor atribuído a, pelo menos, uma disciplina. Este cálculo baseia-se nos horários em contratação de escola que, há dois dias, continuavam disponíveis por falta de candidatos ou porque as colocações não tinham sido aceites.

O 1.º ciclo é, neste arranque, o grupo mais atingido. O levantamento relativo a 9 de setembro identificava 119 horários ainda disponíveis.

A maior parte concentrados em escolas de Queluz, Amadora, Loures e Agualva-Cacém.

A resposta mais imediata passa por tornar as colocações mais rápidas. A partir de 18 de setembro, os professores deverão começar a ser colocados diariamente, em vez de esperarem vários dias por uma nova reserva de recrutamento.

O objetivo é encurtar o intervalo entre a identificação de uma vaga e a entrada do docente na escola, evitando que os alunos fiquem semanas sem aulas e que os próprios candidatos desistam da profissão enquanto aguardam uma colocação.

Além disso, mantém-se o apoio extraordinário à deslocação que, no ano letivo passado, abrangia os docentes colocados a pelo menos 70 quilómetros de casa.

No médio prazo, a aposta pode passar pela abertura de vagas extraordinárias para vincular professores nas regiões carenciadas. Está também previsto um novo modelo de recrutamento, com um concurso anual para necessidades permanentes.

  • Fonte: Rádio Renascença
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