“Há um alinhamento de posições entre o Ministério Público, as polícias e o Chega”
- 11/09/2026 05:53
- Redação
Para Henrique Raposo, um dos principais problemas está na dimensão do grupo envolvido no episódio do Rato. “Não é um ou dois miúdos que acabaram de entrar na polícia que fizeram aqueles disparates. Foram dezenas de homens que fizeram aquilo e partilharam”, salienta.
O comentador considera que esta circunstância pode revelar a existência de “uma cultura de violência” dentro da instituição e questiona se o fenómeno estará circunscrito àquela esquadra.
“Podes dizer assim, ah, é só no Rato, é uma esquadra no centro da cidade, no centro da capital, é gravíssimo per se, mas eu fico desconfiado que seja só no Rato”, afirma.
É, contudo, a relação entre as forças de segurança e o Chega que merece uma das críticas mais fortes de Henrique Raposo.
O cronista considera que existe “uma evidente relação ou aliança, chama-lhe o que quiser, entre a polícia e o Chega”, considerando-a “cada vez mais evidente e preocupante”.
Nesse contexto, aponta diretamente ao líder do Chega. “O Ventura comporta-se sempre como o sindicalista dos polícias. Sempre”, afirma.
Henrique Raposo relaciona ainda esta proximidade com a polémica em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, cuja continuidade no cargo considera insustentável.
“Eu acho que o Luís Neves já devia ter sido ido embora, demitido, demitir-se, qualquer coisa”, diz.
Na leitura de Henrique Raposo, existe também uma ligação entre a contestação interna nas forças de segurança e o espaço político dado pelo Chega às reivindicações dos polícias.
“Há uma coisa que está a montante. Ele está a ser queimado por quem? Pelas polícias. É a PJ que está a queimar todas as semanas o Luís Neves. E do outro lado, quem está a receber esses espaços sistematicamente? É o Chega”, sustenta.
Para o comentador, esta sucessão de episódios aponta para “uma aliança orgânica, implícita ou explícita” entre diferentes intervenientes.
O comentador refere ainda a ameaça de greve feita pela associação sindical dos polícias, considerando significativo que o alvo da contestação seja o atual ministro da Administração Interna.
“Há um alinhamento de posições entre o Ministério Público, as polícias e o Chega”, afirma.
Henrique Raposo admite não saber se existe uma coordenação ou uma ligação formal entre estes atores. “É explícito? Estão infiltrados? Ou é orgânico e partilha a mesma ideologia popular populista? Não sei. Mas o alinhamento existe”, conclui.