CGTP convoca manifestação nacional e defende salário mínimo nos 1.100 euros
- 11/09/2026 14:22
- Redação
A CGTP anunciou esta sexta-feira uma "grande manifestação nacional", em outubro, e defende o aumento do salário mínimo nacional (SMN) para os 1.100 euros, em 2027.
A central sindical convocou "um mês de ação, de mobilização e luta", antes da aprovação do Orçamento do Estado para o próximo ano.
A "grande manifestação nacional" vai acontecer em Lisboa, Porto e Coimbra, a 17 de outubro, anunciou esta sexta-feira o secretário-geral em conferência de imprensa, em Lisboa.
"Nesta perspetiva de construção da luta", a CGTP vai avançar "com um mês de ação, de mobilização e luta", entre 17 de setembro e 17 de outubro, tendo em vista "discutir com os trabalhadores a ação reivindicativa", anunciou Tiago Oliveira em conferência de imprensa, onde foi apresentada a "Política Reivindicativa" da central sindical para 2027.
Nestes dias serão realizadas diversas ações nas empresas e locais de trabalho, nomeadamente plenários e concentrações à portas das empresas, sendo que o objetivo é " envolver os trabalhadores na discussão política", segundo explicou.
No final deste período, em 17 de outubro, vai ser realizada "uma grande manifestação nacional" em Lisboa, Porto e Coimbra para que os trabalhadores possam "trazer para a rua a sua contestação", acrescentou, sinalizando que espera a adesão de "milhares e milhares" de trabalhadores.
A CGTP exige um aumento salarial de pelo menos 15%, num mínimo de 150 euros, para todos os trabalhadores em 2027, defendendo ainda a subida do salário mínimo nacional de 920 para 1.100 euros.
"Os trabalhadores e os reformados precisam de salários e de pensões que permitam viver dignamente durante todo o ano e não num só período do ano", afirmou o secretário-geral.
Tiago Oliveira sinalizou que o valor previsto no acordo tripartido fica "muito aquém" das reais necessidades dos trabalhadores para fazerem face "a todas as despesas" e considerou que a fasquia proposta pela CGTP "é possível".
"O peso médio dos salários nas empresas ronda os 16% (...) Aquilo que esmaga as empresas não são os salários são muitos outros fatores", disse quando questionado sobre se acredita que as confederações empresariais estão disponíveis para rever em alta a trajetória do salário mínimo nacional.
O acordo tripartido em vigor prevê que, em 2027, a Remuneração Mínima Mensal Garantida (RMMG) suba para 970 euros e, em 2028, para 1.020 euros.
Não obstante, na sequência das eleições legislativas de 18 de maio de 2025, no programa de Governo, o executivo estabeleceu uma nova meta para abarcar toda a legislatura, apontando como objetivo que a retribuição mínima garantida atinja os 1.100 euros brutos por mês em 2029.
O tema deverá ser discutido durante as próximas semanas com os parceiros sociais, sendo que para a próxima semana está já agendada uma reunião da Comissão Permanente da Concertação Social (CPCS).
Questionada na segunda-feira sobre uma eventual revisão em alta do valor previsto para 2027, a ministra do Trabalho afirmou que “o que está em cima da mesa é o cumprimento da meta” prevista no acordo e sinalizou que “teria que haver um novo acordo para que essa meta fosse alterada”.