"É inevitável" aumentar o preço da carne e derivados, avisa associação do setor

"É inevitável" aumentar o preço da carne e derivados, avisa associação do setor

  • 12/09/2026 04:00
  • Redação

O preço da carne e dos produtos derivados deverá aumentar, segundo a Associação Portuguesa dos Industriais de Carne (APIC), que alerta para o impacto do aumento consecutivo dos combustíveis nos custos de produção.

A responsável sublinha que, perante este cenário, as empresas terão dificuldades em manter a atividade sem fazer repercutir parte dos custos nos preços finais. “Neste contexto, parece-nos inevitável que tenha que aumentar, senão as indústrias não conseguem ser sustentáveis do ponto de vista económico”, sublinha.

Graça Mariano ressalva, no entanto, que não "é sempre muito difícil" antecipar quando ou em que proporção os preços poderão subir, uma vez que essa é uma "decisão individual de cada empresa".

Apesar da incerteza, a responsável garante que o sentimento no setor é claro: “os associados, o que me dizem, é que é inevitável” aumentar os preços.

Além do aumento dos custos, os industriais de carne apontam problemas relacionados com a aplicação da legislação europeia em Portugal.

A APIC considera que existe um “excesso de zelo” por parte das autoridades nacionais, colocando as empresas portuguesas numa posição de desvantagem face às congéneres espanholas. “Em Portugal é muito mais difícil produzir do que nos outros Estados-membros, embora tenhamos uma legislação harmonizada, porque em Portugal há sempre mais exigências, há sempre mais requisitos que nem sempre se revertem numa mais-valia em termos de segurança dos alimentos.”

Na perspetiva da associação, as exigências adicionais traduzem-se em custos que reduzem a competitividade das empresas portuguesas. “Isto leva a custos e esses custos fazem com que as empresas não sejam tão competitivas como as empresas aqui ao lado, em Espanha”, diz Graça Mariano.

A associação critica ainda a atuação da GNR em operações de fiscalização rodoviária que envolvem veículos de transporte de carne e outros produtos alimentares.

Graça Mariano entende que a força policial deve limitar-se às competências que lhe estão atribuídas e acusa os militares de realizarem controlos na área da segurança alimentar, que considera da responsabilidade de outras autoridades.

“A GNR manda parar os carros pelas situações que são, pelas competências que têm, como o peso, se tem seguro, os pneus, etc., etc., e aproveitam e mandam abrir os camiões.”

A responsável critica, também, situações em que, segundo afirma, os agentes entram nos veículos sem cumprir os procedimentos de higiene exigidos. “Depois, até querem entrar sem farda, portanto, nem sequer, como não têm experiência, percebem que é necessária a higiene redobrada. E começam a levantar autos”, relata.

Para a APIC, a realização destes controlos alimentares pela GNR é uma situação que deve ser corrigida. “Temos até a GNR a fazer controlos oficiais, que não podem ser oficiais, porque não tem competência para isso. Fazem controlos em termos alimentares na estrada. Isto é lamentável.”

Graça Mariano acusa ainda os guardas de aplicarem exigências que, segundo a associação, não têm fundamento na legislação. “Isto é absolutamente lamentável. Como é evidente, eles têm que cumprir as suas competências, não as competências das outras autoridades, como a DEGAV e a ASAE”, sublinha.

As declarações surgem num momento em que o setor dos industriais da carne está reunido em Lisboa para o seu seminário anual, com o aumento dos custos de produção, a competitividade das empresas e a fiscalização do transporte entre os principais temas em discussão.

  • Fonte: Rádio Renascença
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