Startup Portugal quer mais oito unicórnios nacionais nos próximos 10 anos
- 12/09/2026 03:00
- Redação
Faz este mês 10 anos que Lisboa recebeu pela primeira vez a Web Summit, o evento que despertou um gigante adormecido no país. Com a cimeira, a maior montra internacional do desenvolvimento tecnológico nos negócios, nasceu também a Startup Portugal.
A ilustrar a “estratégia nacional para o empreendedorismo” estão os oito unicórnios com ADN português: Farfetch (2018), OutSystems (2018), Talkdesk (2018), Feedzai (2021), Remote (2021), Sword Health (2021), Anchorage Digital (2021) e Tekever (2026).
Atualmente, Portugal tem mais de cinco mil startups, um objetivo antecipado em dois anos, 70% surgiram nos últimos cinco anos. São responsáveis por mais de 28 mil empregos, com salários 81% acima da média nacional, 1% do PIB de Portugal e 1,5% das exportações.
Nos próximos 10 anos, Miguel Aguiar fixa como objetivo ter “pelo menos, outros tantos unicórnios, mais ou menos 15 ou 16”. Mas, sobretudo, “que tivéssemos 5% do PIB originado por startups”.
Inovar, escalar e Internacionalizar são os três principais desafios das startups nacionais. O calcanhar de Aquiles é o acesso a financiamento, principalmente quando precisam de crescer, e a burocracia. Miguel Aguiar admite que “preferia que a sede (dos unicórnios) estivesse em Portugal”, mas lembra que mantêm no país “operações, desenvolvimento e grande parte dos postos de trabalho”.
O CEO assegura que Portugal está a construir um ecossistema de startups competitivo e sustentável e dá como exemplo a criação da Lei das Startups, em 2023, a primeira na Europa. O país tem também lançado vários programas e iniciativas para apoiar estes negócios, como a “SIM Conference”, o “Business Abroad”, o “Road 2 Web Summit”, os Startup Voucher e Vales de Incubação ou o “Tech Foundry Portugal – Deep Tech Edition”.
Dia 1 de outubro entra em vigor o novo Regime de Contratação Pública, “que vai permitir às startups responder mais facilmente aos cadernos de encargo da Administração Pública”. Vai “beneficiar” estas empresas, garante.
Miguel Aguiar destaca ainda a fatia do PRR destinada às startups, 50 milhões de euros, plenamente executados “até à meia-noite de 31 de agosto”. Aguiar explica como foi gasto o dinheiro, que está ainda a ser acompanhado, e admite que algumas startups podem ter de devolver o financiamento, se não cumprirem o acordado.
A menos de um mês da apresentação do Orçamento do Estado para 2027, diz esperar que este setor seja contemplado, nomeadamente, com novas medidas fiscais.
Neste mercado, altamente competitivo, nem todas as startup vingam e algumas caem mesmo com estrondo, como a Farfetch. A nível internacional, 4 em cada 5 não sobrevivem. O Diretor Executivo da Startup Portugal não tem números para o nosso país, mas sublinha que estes negócios são altamente resilientes e o insucesso é considerado aprendizagem para o próximo salto.