Presidente da CEAST apela ao perdão que evita a “escravidão” do rancor
- 13/09/2026 06:45
- Redação
Foi com um forte apelo ao perdão que o arcebispo de Saurimo e Presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) conduziu a homilia da Missa celebrativa do 13 de Setembro, no Santuário de Fátima.
D. José Manuel Imbamba, que presidiu a esta Peregrinação Internacional Aniversária, começou por referir a importância e o contexto da sua presença no “Altar do Mundo”, e a sua proximidade a Maria cujo “Coração de Mãe é o espelho mais puro onde Deus se reflete; é o caminho seguro que desfaz as trevas do nosso egoismo e nos ensina a ver o rosto misericordioso do Pai”.
“E hoje, a Palavra de Deus convida-nos a olhar para esse rosto através de uma das exigências mais profundas da vida cristã: o perdão”, acrescentou.
Reconhecendo que, por vezes é dificil perdoar, sobretudo “quando o golpe é profundo, ou quando a ferida é aberta dentro da própria casa”, o prelado insistiu no apelo à reconciliação, porque, por exemplo, “Quantos países estão em conflitos e guerras desumanas por falta da disponibilidade ao diálogo e ao perdão?”.
D. José Manuel Imbamba assegura que “tudo o que provém do Coração de Deus é ilimitado: o seu amor, a sua justiça, a sua misericórdia e o seu perdão”, e adverte que “o cristão não pode viver a fazer contabilidade do perdão”, porque “o amor não funciona com calculadora”.
Depois, o arcebispo de Saurimo insistiu em denunciar “como alguns países poderosos sufocam e deprimem os países pequenos, através das dívidas injustas!”.
E reforçando a ideia principal da sua mensagem, D. José Imbamba insistiu em lembrar que o "o rancor e a raiva são sentimentos que nos corroem por dentro, tiram-nos a paz e destroem a qualidade da nossa vida". "Quem vive para a vingança fica prisioneiro do passado", acrescentou.
Mais adiante garantiu que “quem experimenta a imensidão do perdão de Deus não pode transformar o próprio coração num tribunal com o direito de julgar e condenar os outros sem piedade e sem hipótese de regeneração”, mas também deixou claro que “perdoar não significa aprovar o erro ou dizer que a injustiça não existiu”.
Ainda assim, o Presidente da CEAST notou uma diferença fundamental “entre lembrar de uma ferida e viver em torno dessa ferida”. “Lembrar com a cicatriz curada é sabedoria; viver a sangrar a mesma ferida é escravidão”, reforçou.
O arcebispo de Saurimo exortou os peregrinos a não esperar por “sentir vontade de perdoar”, até porque “o perdão não é um sentimento, é uma tomada de decisão”.
“É dizer: Eu decido, a partir de hoje, não viver sob a opressão do ódio nem alimentar o rancor”, acrescentou.
A terminar, D. José Imbamba admitiu que “o perdão não muda o passado, mas tem o poder de libertar e transformar o nosso presente e o futuro”, e concluiu a sua homília recorrendo a “Maria, Mãe de Misericórdia”, a quem “pediu a paz no mundo inteiro”; “essa paz que só pode nascer de corações reconciliados que sabem renunciar ao ciclo do ódio e da vingança”.
De acordo com os serviços do Santuário estiveram este domingo no recinto de oração cerca de 30 mil peregrinos, numa Missa que contou com a participação de dois cardeais, três bispos, 87 padres e cinco diáconos.