Como se desfaz um Reino Unido? 15 perguntas e respostas para perceber o que está em causa
- 13/09/2026 13:55
- Redação
Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte vivem uma coincidência política inédita: os primeiros-ministros escocês e galês e a primeira-ministra norte-irlandesa pertencem a partidos que defendem a independência ou a reunificação irlandesa.
Na Escócia, John Swinney é primeiro-ministro e líder do Partido Nacional Escocês (SNP), formação que defende a independência escocesa.
No País de Gales, Rhun ap Iorwerth é primeiro-ministro e líder do Plaid Cymru, partido nacionalista que pretende transformar o território num Estado independente.
Na Irlanda do Norte, Michelle O'Neill, vice-presidente do Sinn Féin, é primeira-ministra. O partido republicano defende a saída da Irlanda do Norte do Reino Unido e a reunificação da ilha da Irlanda. O'Neill, porém, partilha a chefia do Executivo com Emma Little-Pengelly, do Partido Democrático Unionista (DUP), que defende a permanência da Irlanda do Norte no Reino Unido.
Não haverá uma declaração conjunta de independência nem serão automaticamente convocados três referendos.
O País de Gales foi integrado no sistema político e jurídico inglês durante o século XVI.
Em 1801, a união entre a Grã-Bretanha e a Irlanda criou o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.
Escócia e País de Gales não controlam unilateralmente as matérias constitucionais necessárias para concretizar uma separação do Reino Unido.
Essa ordem necessita da aprovação da Câmara dos Comuns, da Câmara dos Lordes e do Parlamento escocês.
Depois de uma eventual vitória do "Sim", começaria ainda um processo de negociação sobre a separação.
Um voto favorável não transformaria a Escócia num Estado independente no dia seguinte.
Uma maioria independentista no Parlamento escocês também não cria automaticamente essa obrigação jurídica.
Cardiff também precisaria da "ajuda" de Westminster para estabelecer um processo que conduzisse juridicamente à independência.
O problema está em determinar quando essa condição fica preenchida. A legislação não estabelece uma percentagem de sondagens nem uma fórmula para chegar a tal conclusão.
Na prática, o Rei não pode decidir travar um processo de independência aprovado pelo Parlamento. Nenhum monarca britânico recusa uma lei aprovada pelo Parlamento desde 1708.
Independência e monarquia são questões constitucionais diferentes. Uma Escócia independente teria de decidir qual seria a sua chefia do Estado e poderia optar por manter o monarca ou escolher outro modelo.
Canadá, Austrália e Nova Zelândia são Estados soberanos que mantêm Carlos III como monarca, pelo que a independência escocesa não implicaria necessariamente uma república.
No caso de uma Irlanda unificada, a situação seria diferente, porque a Irlanda é uma república.
Uma Escócia ou um País de Gales independentes teriam de negociar a relação com a União Europeia enquanto novos Estados. A pertença anterior ao bloco enquanto parte do Reino Unido não lhes confere automaticamente o estatuto de Estado-membro.
A Irlanda do Norte seguiria um caminho diferente, porque o objetivo do Sinn Féin é a reunificação com a República da Irlanda, Estado independente e membro da União Europeia.
O País de Gales vive uma mudança política importante com a chegada do Plaid Cymru ao poder, mas encontra-se num ponto diferente do processo político.