Mais dinheiro no salário em 2026 pode significar menos reembolso ou mais IRS a pagar em 2027: saiba porquê
- 14/09/2026 06:15
- Redação
A redução das retenções na fonte significa mais dinheiro disponível nos salários dos contribuintes, mas esse aumento de liquidez não significa que o imposto a pagar seja menor.
A Deco Proteste alerta que uma menor retenção ao longo de 2026 pode resultar, no próximo ano, num reembolso de IRS mais baixo ou até num valor adicional a pagar. O imposto definitivo só será calculado quando for feita a liquidação do IRS em 2027.
A organização recomenda, por isso, que os contribuintes não confundam a redução das retenções com uma redução do imposto e, sempre que o orçamento familiar permita, reservem parte do dinheiro adicional para evitar dificuldades no acerto fiscal.
Porque vai ser retida uma parcela menor do rendimento para entregar antecipadamente ao Estado.
A retenção na fonte funciona como um pagamento por conta do IRS. Quando essa retenção diminui, o trabalhador recebe mais dinheiro todos os meses, mas isso não significa necessariamente que o imposto final seja menor.
Não obrigatoriamente. Tudo depende da situação fiscal de cada contribuinte e do imposto efetivamente devido.
No entanto, se durante 2026 tiver sido retido menos IRS do que em anos anteriores, o valor a receber em 2027 poderá ser inferior. Em alguns casos, quem habitualmente recebia um reembolso poderá mesmo ter IRS a pagar.
Sempre que seja possível, a organização recomenda que os contribuintes reservem uma parte do dinheiro que recebem a mais todos os meses, criando uma margem financeira para o acerto de IRS em 2027.
A recomendação ganha importância num período em que muitas famílias enfrentam despesas elevadas com habitação, automóvel e alimentação.
Os contribuintes que não conseguiram liquidar o imposto dentro do prazo podem pedir às Finanças um plano de pagamento em prestações.
O prazo para apresentar o pedido termina esta terça-feira, 15 de setembro. Podem recorrer a esta possibilidade os contribuintes que tenham entregue a declaração de IRS dentro do prazo e que não tenham outras dívidas às Finanças.
O imposto pode ser pago em até 36 prestações mensais, sendo que cada prestação não pode ser inferior a 25,50 euros.
Para pessoas singulares, quando a dívida não ultrapassa os 5 mil euros e o plano não excede 12 prestações, não é necessário apresentar garantia.
Segundo a Deco Proteste, sempre que a situação financeira o permita, é aconselhável optar por um período inferior a 12 meses.
Um plano demasiado longo pode fazer com que o contribuinte ainda esteja a pagar o IRS anterior quando chegar o momento de liquidar o imposto relativo a 2026, em 2027.
A combinação entre retenções mais baixas em 2026 e uma dívida de IRS ainda em pagamento no próximo ano pode representar uma pressão adicional para o orçamento familiar.
Sim. Ao valor das prestações acrescem juros de mora. Em 2026, a taxa aplicável às dívidas ao Estado é de 7,221%.
O pedido é feito através do Portal das Finanças. Depois de entrar na área pessoal, o contribuinte deve pesquisar por "prestações", aceder a "Planos Prestacionais" e selecionar "Simular/Registar Pedido". Deve depois escolher a nota de cobrança, simular o plano, indicar o número de prestações e apresentar a razão económica que justifica o pedido.
Quando estão reunidos os requisitos legais e existe dispensa de garantia, a autorização do plano é automática. A primeira prestação é paga no mês seguinte ao pedido.
É importante cumprir os pagamentos definidos no plano. A falta de pagamento de uma prestação pode provocar o vencimento das restantes, deixando de ser possível, em princípio, continuar a pagar a dívida de forma faseada.
Se a situação não for regularizada antes da emissão da certidão de dívida, poderá ser instaurado um processo de execução fiscal.
Também é possível pedir o pagamento em prestações, mas poderá ser necessária uma garantia.
Esta pode assumir, por exemplo, a forma de garantia bancária, seguro-caução ou hipoteca sobre imóveis.
Sim. Depois de o plano ser autorizado e de pelo menos uma prestação ter sido emitida e paga, é possível amortizar parte da dívida ou antecipar prestações através do Portal das Finanças.
A Deco Proteste aconselha os contribuintes a acompanharem a sua situação fiscal ao longo do ano e não apenas quando chegar o momento de entregar a declaração.
Entre os principais cuidados estão pedir fatura com número de contribuinte, validar regularmente as faturas, acompanhar os limites das deduções e verificar os benefícios fiscais disponíveis.
Também é importante ter em conta que 15% do IVA suportado em determinadas despesas pode contar para efeitos fiscais e confirmar, antes de constituir ou reforçar um PPR por motivos fiscais, se ainda é possível beneficiar da respetiva dedução.
A principal recomendação da Deco Proteste é, por isso, simples: mais dinheiro disponível no salário não significa necessariamente menos imposto. A menor retenção dá maior liquidez no presente, mas pode reduzir o reembolso ou aumentar o valor a pagar no acerto de 2027.