“A maior tensão na Síria é contra os alauitas”
- 13/09/2026 07:06
- Redação
“Além de todas estas situações difíceis que estamos a passar nos nossos países, além da guerra, além do Líbano e da Palestina, e da crise difícil na Síria e no Iraque, nós estamos aqui juntos. Nós ainda queremos. Sabemos que não temos uma jornada fácil para reconstruir a confiança, para construir a paz, mas nós estamos aqui juntos”.
As palavras são de Waseem Haddad, que desempenha funções de gestão para a região árabe no KAICIID, uma organização intergovernamental de cariz mundial, com sede em Lisboa, que tem como missão a promoção da paz através do diálogo inter-religioso (e que no quadro da direção apresenta líderes das religiões mais difundidas do mundo: Cristianismo, Islamismo, Judaísmo, Hinduísmo e Budismo).
Waseem é um cristão sírio. Ou seja, vem de uma comunidade minoritária num país abundantemente muçulmano. No entanto, a maior preocupação que tem neste momento, depois da queda do regime da família Assad, há quase dois anos, é com outra parte da população. “A maior tensão, na verdade, entre as comunidades na Síria, não é contra os cristãos. A maior e mais perigosa é contra os alauitas [uma minoria muçulmana], que vivem com os cristãos nas mesmas áreas”, sublinha, mostrando também preocupação com a comunidade drusa.
Entende que “a coexistência pacífica não é construída somente através de políticas e acordos oficiais”, acreditando que passa mais pela vivência no dia-a-dia “em lugares de oração, em escolas, em famílias, em comunidades locais, através da ação dos líderes religiosos” – e lembrando que “os líderes religiosos ainda têm uma habilidade única para alcançar as pessoas a este nível” e que, mesmo que “essa influência traga responsabilidade própria”, “podem apoiar a reconciliação e proteger a dignidade das pessoas”.
Reforçando a incerteza económica no país, Waseem apela a mudanças que aumentem a confiança nas instituições públicas sírias. “A situação dos sírios, em geral, não é boa. Há muito trabalho que deve ser feito para reconstruir a confiança no país entre as comunidades religiosas ou nos diferentes grupos. A situação, em geral, na região, é instável e é muito difícil. Vemos isto nos últimos 20 anos. Temos, em cada dois ou três anos, uma nova guerra nesta parte do mundo”, aponta.