Medina discorda do PS: redução do IVA dos combustíveis "não é possível"
- 14/09/2026 17:06
- Redação
Em alternativa, Medina diz que “o que é possível, sim, é reduzir o ISP num valor equivalente ao valor do IVA”, lembrando que foi o que o Governo de António Costa fez em 2022, “quando se verificou um aumento inflacionista após a pandemia e quando os combustíveis subiram significativamente”.
“Com o alargamento da subida dos preços dos combustíveis ao longo do tempo, o impacto será mais transversal e haverá um efeito mais negativo nas economias”, antevê Medina que aconselha o Governo a “ir mais longe”, considerando que “a questão dos impostos não é aqui a mais relevante”. A questão para o ex-ministro das Finanças do PS é “qual o preço para que os combustíveis cheguem à economia”.
Medina admite por isso que, “eventualmente, haverá alguma ação adicional” do Governo, não antecipando, contudo, qual. A “mancha de óleo” que podem ser os efeitos do aumento do preço dos combustíveis é, para o ex-ministro do PS, o mais preocupante. Efeitos esses, por exemplo, na habitação.
Para combater a inflação provocada pela crise dos combustíveis, o Banco Central Europeu subiu as taxas de juro para 25 pontos base. Trata-se de uma medida com um “grau de perversidade, porque, enquanto a inflação tem a sua origem fundamental numa crise energética como a que estamos a viver, o aumento das taxas de juro é um instrumento com pouca eficácia”, diz o antigo ministro no programa Conversa de Eleição.
Medina considera mesmo que o BCE poderá estar a “abrir as portas ao que poderá ser o início de um caminho para que, se a inflação continuar a aumentar de forma mais generalizada e transversal e o processo de subida das taxas de juro se mantiver, o impacto será certamente negativo no rendimento das famílias e na sua disponibilidade”.
Para responder à crise da habitação, que poderá ser agravada pela crise energética, Medina aconselha o Governo a adotar uma “medida importante” como “eliminar a taxa existente para a amortização antecipada dos créditos à habitação”. Ou seja, uma medida que já existia com o PS, mas que o atual Governo abandonou.
”Esta é uma medida que pode ser tomada sem prejudicar terceiros, e que pode ser adotada de seguida. Sou a favor de incentivos direcionados para a procura de crédito imobiliário, que também contribuem para o aumento dos preços dos imóveis, e que podem ser direcionados para conter estes aumentos das taxas de juro, caso estas atinjam um nível mais elevado. Mas reconheço que o Governo terá de monitorizar esta situação”, acrescenta Medina.