Macklemore afastado da digressão de Ed Sheeran após gritar "Libertem a Palestina" em concertos
- 15/09/2026 00:00
- Redação
"Uma grande parte da razão pela qual quis fazer esta digressão foi para poder subir a estádios como este e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: 'Free Palestine' ['Libertem a Palestina', em português]. Eu disse: 'Free Palestine!'."
Perante mais de 50 mil pessoas no estádio norte-americano "MetLife", em Nova Jersey, o artista quis aproveitar o momento, no início deste mês, "para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas", mas este discurso acabou por ser condenado pelos superiores de Ed Sheeran.
Conhecido pelos temas "Can't Hold Us" (2011), "Thrift Shop" (2012) e "Glorious" (2017), Macklemore tem defendido publicamente a bandeira palestiniana desde o final de outubro de 2023.
"A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vós. A minha mensagem é pela paz; pelo amor a todos os seres humanos, para que sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade. Por isso, digo: Palestina livre, Líbano livre, Cuba livre, Congo livre, Sudão livre, liberdade para todas as pessoas na América que vivem com medo desta organização terrorista, o ICE", disse o rapper a meio do seu concerto, como costuma fazer em vários pontos do mundo.
Depois de tirar uns minutos para defender uma "Palestina livre", o rapper ainda mostrou imagens da destruição em Gaza e de protestos enquanto cantava a sua canção "Hind's Hall". Na música, Macklemore acusa Israel de genocídio e insiste, mais uma vez, que "nenhum de nós será livre até que todos sejamos livres".
Apesar das críticas e de, na altura, já estar a ser pressionado a abandonar a digressão, o artista voltou ao palco no dia seguinte com a mesma convicção e partilhou o momento na rede social X (antigo Twitter) com a legenda: "Querer que todos os seres humanos sejam tratados de igual forma nunca deveria ser controverso."
Em reação, a promotora de Sheeran nos EUA, Messina Touring Group, disse, em comunicado: "Fomos notificados pelas salas de espetáculos que não vão permitir a realização de um concerto com Macklemore no alinhamento, porque resultaria no cancelamento da digressão e afetaria centenas de milhares de fãs".
A cantora P!nk, a própria judaica, fez parte do movimento que impulsionou a saída de Macklemore: "Estou a defender o meu próprio povo e sei como isso é solitário, mas estou a fazê-lo na mesma", escreveu nas redes sociais, num recado com mais de 1300 palavras.
"Nunca pedi que outro artista fosse silenciado e não o estou a pedir agora. Não preciso que ninguém seja despedido e não preciso de um reembolso. O que preciso é de poder dizer, enquanto mãe judia, é que isso assustou-me, e assustou pessoas que amo, sem me dizerem que o nosso medo é apenas propaganda e sem me dizerem que, de alguma forma, sou a favor do genocídio só porque reparei nisto", disse.
Para o cantor, não importa ter sido "silenciado", já que conseguiu apelar pela resistência da Palestina a mais de 90 mil pessoas que mostraram "um inegável apoio à causa".
"Não precisei de 10 concertos do Ed. Bastaram dois para dizer palavras que, de alguma forma, se tornaram demasiado perigosas para serem ditas. Mas se estas palavras me custaram o palco, então foi a digressão com maior sucesso da minha vida", concluiu Macklemore.
A guerra em curso na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques do Hamas a Israel no dia 7 de outubro, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.
A retaliação israelita já provocou mais de 73 mil pessoas foram mortas pelo exército israelita em Gaza, de acordo com dados do governo de Gaza, sob a autoridade do Hamas, são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
A ofensiva israelita também destruiu quase todas as infraestruturas de Gaza e provocou a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.