Polícia norueguesa investiga Telenor por suspeitas de crimes contra a humanidade em Myanmar

Polícia norueguesa investiga Telenor por suspeitas de crimes contra a humanidade em Myanmar

  • 15/09/2026 07:55
  • Redação

A polícia norueguesa abriu uma investigação à operadora de telecomunicações Telenor por suspeitas de cumplicidade em crimes contra a humanidade cometidos em Myanmar, na sequência do golpe militar de 2021.

De acordo com a Reuters, as autoridades realizaram esta terça-feira uma busca na sede da empresa, em Oslo. O processo envolve também suspeitas relacionadas com violações de sanções internacionais.

A Polícia Nacional de Investigação Criminal da Noruega e o serviço de segurança PST indicaram que a investigação está relacionada com a atuação da Telenor Myanmar após a tomada do poder pelos militares.

Segundo as autoridades, a empresa terá entregado repetidamente ao regime militar dados históricos relativos às comunicações dos seus clientes, numa altura em que as forças armadas eram responsáveis por graves abusos contra a população civil.

A Telenor, que abandonou o mercado de Myanmar após o golpe e concluiu a saída do país em março de 2022, garante estar a cooperar com os investigadores noruegueses.

Em declarações à Reuters, a empresa descreveu o golpe militar como "uma tragédia para o povo de Myanmar" e afirmou ter sido colocada numa situação "impossível", sem alternativas satisfatórias.

"Os funcionários arriscavam a prisão, a tortura ou a pena de morte se as ordens das autoridades militares não fossem cumpridas", afirmou a Telenor, defendendo que não tinha uma verdadeira escolha e que não podia colocar em risco a vida dos trabalhadores.

A empresa acrescentou que nenhuma pessoa foi acusada ou está individualmente sob investigação no âmbito deste processo.

A investigação surge depois de, no início deste ano, uma organização sueca sem fins lucrativos ter apresentado uma ação coletiva contra a Telenor. O processo alegava que a filial em Myanmar tinha partilhado registos de chamadas e dados de localização de alegados opositores da junta militar, contribuindo para a execução de pelo menos um ativista de relevo.

As autoridades norueguesas estão ainda a investigar a venda da operação da Telenor em Myanmar, nomeadamente a transferência de equipamento de vigilância sujeito a sanções.

Segundo a polícia, a empresa terá transferido esse equipamento no âmbito da venda do negócio sem obter a necessária autorização do Ministério dos Negócios Estrangeiros norueguês.

A organização Justice For Myanmar saudou a abertura da investigação. Yadanar Maung, porta-voz do grupo, afirmou à Reuters que as alegadas violações da legislação norueguesa e internacional deveriam finalmente ser investigadas.

A organização trabalhou com a International Commission of Jurists (ICJ) na apresentação de informação às autoridades norueguesas.

"A transferência de spyware da Telenor para uma empresa ligada aos militares e a partilha de dados sensíveis com a junta militar foram amplamente documentadas", afirmou Yadanar Maung, defendendo que a investigação poderá conduzir à responsabilização da empresa pelos danos causados à população de Myanmar.

A Telenor vendeu o negócio no país após o golpe militar de 2021 e concluiu a sua saída de Myanmar em março de 2022.

  • Fonte: Rádio Renascença
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