Procissão de Nossa Senhora dos Remédios é Património Cultural de Macau
- 15/09/2026 08:40
- Redação
A procissão e a devoção a Nossa Senhora dos Remédios passaram a integrar o Património Cultural Imaterial de Macau, numa decisão oficializada em agosto pelo Governo da região administrativa especial chinesa.
A tradição religiosa junta-se às procissões do Senhor Bom Jesus dos Passos e de Nossa Senhora de Fátima, que já fazem parte da mesma lista e que continuam a mobilizar centenas de fiéis e visitantes nas celebrações anuais.
A decisão é considerada particularmente significativa por reconhecer publicamente uma manifestação da tradição católica ligada à presença portuguesa e macaense em Macau, território que mantém o português como uma das línguas oficiais.
À Fundação AIS, o padre Luís Sequeira, antigo superior dos jesuítas em Macau e residente no território há várias décadas, recorda a importância da devoção a Nossa Senhora dos Remédios entre as comunidades macaense e portuguesa.
"Assim que cheguei a Macau, em 1976, soube dessa devoção a Nossa Senhora dos Remédios, e percebi logo que era muito seguida pela Comunidade macaense e portuguesa, principalmente na área da Paróquia de São Lourenço", recorda o sacerdote.
Segundo o jesuíta, a devoção tem conhecido um novo impulso nos últimos anos, sobretudo entre pessoas que procuram a intercessão de Nossa Senhora perante dificuldades pessoais.
"Nestes últimos tempos, particularmente, tem havido um despertar para esta devoção a Nossa Senhora pedindo a sua intercessão para os momentos difíceis da vida como nas enfermidades do corpo e igualmente durante as angústias da alma", explica.
Para o sacerdote, a inclusão da procissão no património cultural imaterial de Macau é uma decisão que faz sentido, sobretudo quando considerada em conjunto com as restantes manifestações religiosas.
"A inclusão da Procissão e Devoção a Nossa Senhora dos Remédios no Património Cultural Imaterial de Macau, para mim, faz sentido, junto com as outras duas procissões, a do Senhor dos Passos e a de Nossa Senhora de Fátima, como expressão da dimensão espiritual em que a cultura portuguesa e latina sempre acreditou e deu testemunho na História da Humanidade e na História das Civilizações... especificamente nas Terras da Ásia", afirma à Fundação AIS.
O religioso deixa, contudo, uma preocupação sobre a forma como esta tradição poderá ser valorizada no futuro.
"A minha apreensão e receio da iniciativa ou da decisão tomada é que tudo acabe em folclore e turismo religioso e caia, assim, na superficialidade e desengano do 'sentido divino' nas nossas vidas", alerta.
A devoção a Nossa Senhora dos Remédios remonta ao final do século XII e chegou a Macau através da presença portuguesa. A tradição é atualmente promovida pela Paróquia de São Lourenço, que leva anualmente a procissão às ruas durante o mês de outubro.
Também a procissão do Senhor dos Passos tem raízes na presença das ordens religiosas portuguesas em Macau. Foi introduzida no território pelos frades agostinianos, no final do século XVI, e realiza-se no primeiro fim de semana da Quaresma.
Já a Procissão de Nossa Senhora de Fátima decorre todos os anos a 13 de maio. A tradição começou em Macau em 1929 e percorre as ruas entre a Igreja de São Domingos e a Ermida da Penha.
A integração da devoção a Nossa Senhora dos Remédios no património cultural imaterial surge num território que mantém uma forte ligação histórica e cultural a Portugal.
Macau foi administrado por Portugal até 20 de dezembro de 1999 e continua a acolher uma comunidade portuguesa significativa.
O território deverá também assumir um papel de passagem para os jovens portugueses que participarão na Jornada Mundial da Juventude de Seul, prevista para 2027, estando prevista a passagem por Macau de cerca de mil jovens portugueses que viajarão para a Coreia do Sul.