Um terço da população maior de 15 anos consumiu medicamentos sem receita em 2025
- 15/09/2026 10:11
- Redação
Um terço da população residente em Portugal com 15 ou mais anos (33,2%) consumiu medicamentos não prescritos em 2025, uma prática mais frequente entre os jovens e no Algarve, revelam dados do INE divulgados esta terça-feira.
Os dados do Inquérito Nacional de Saúde 2025 (INS 2025) do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram um consumo mais significativo de medicamentos sem receita na população entre os 15 e os 34 anos, por comparação com fármacos prescritos.
Em particular, 38,6% das pessoas dos 25 aos 34 anos revelaram ter tomado estes fármacos nas duas semanas anteriores à entrevista, enquanto 33,9% no mesmo grupo etário referiram ter consumido medicamentos prescritos, refere o inquérito, divulgado na véspera do Dia do Serviço Nacional de Saúde.
A percentagem mais elevada de consumo de medicamentos sem receita registou-se na população dos 35 aos 44 anos (40,4%), ligeiramente inferior à percentagem de consumo de fármacos prescritos nessa faixa etária (40,7%).
Por regiões, o Algarve apresentou a maior proporção de população com 15 ou mais anos que referiu ter consumido medicamentos não prescritos em 2025, com 38,6%. Seguiu-se a Grande Lisboa, com 38% e o Alentejo (26,2%).
"Apesar das diferenças regionais, o consumo de medicamentos prescritos foi superior ao de medicamentos não prescritos em todas as regiões do país", sublinha o INE.
A hipertensão arterial e o colesterol ou triglicéridos eram as doenças mais associadas ao consumo habitual de medicamentos prescritos pela população com 15 ou mais anos: 27% e 24,4%, respetivamente. Uma proporção significativa da população consumia habitualmente medicamentos para o tratamento da insónia (14,7%), ansiedade (12,1%) e da depressão (9,3%).
Os dados também indicam que 62,6% dos inquiridos que disseram ter estado internados nos 12 meses anteriores à entrevista tinham 55 ou mais anos e mais de 80% da população idosa, sem escolaridade e reformada, disse ter tido pelo menos uma consulta de medicina geral e familiar no último ano, contra 56% das pessoas dos 15 aos 24 anos.
As consultas de outra especialidade (exceto com dentista) também foram tendencialmente mais frequentes na população mais idosa.
Pelo contrário, a proporção da população que consultou um dentista no último ano diminui à medida que a idade aumenta (superior a 70% dos 15 aos 24 anos e inferior 60% a partir dos 55 anos) e aumenta com o nível de escolaridade: 76,7% da população com ensino superior consultou um dentista no período de referência.
As consultas com psiquiatras, psicólogos ou psicoterapeutas, por um lado, e com fisioterapeutas, cinesioterapeutas, quiropráticos ou osteopatas, por outro lado, assumem menor frequência em todos os segmentos populacionais analisados em comparação com os outros tipos de consulta. .
Ainda assim, os resultados revelam que o grupo etário que mais recorreu a ambos os tipos de consulta foi o das pessoas dos 25 aos 34 anos: 24,4% e 19,3%, respetivamente, adianta o INE.
A nível dos cuidados preventivos, o INE revela que 51,4% da população com 50 ou mais anos realizou uma colonoscopia nos 10 anos anteriores à entrevista, valor que aumenta com o nível de escolaridade, atingindo 55,9% na população com ensino superior.
Aponta também que 79,7% das mulheres dos 50 aos 69 anos realizaram uma mamografia nos dois anos anteriores e 65,7% das mulheres dos 20 aos 69 anos realizaram uma citologia cervical nos últimos três anos. .
A nível da saúde reprodutiva, o INE concluiu que a pílula é o método contracetivo mais utilizado, tendo sido referido por 61,5% das mulheres dos 15 aos 55 anos que usaram um método contracetivo nos 30 dias anteriores à entrevista.
Quanto à ausência laboral por motivos de saúde, o INE revela que 32,8% das mulheres empregadas faltou pelo menos um dia nos 12 meses anteriores à entrevista, valor que desceu para 29,8% nos homens.
O INS 2025 foi realizado pelo INE, com base numa amostra representativa de 22.000 alojamentos de todo o país.