"A religião voltou a ser moeda política muito usada por movimentos nacionalistas"
- 15/09/2026 12:29
- Redação
Joel Halldorf é professor de História da Igreja e docente da Universidade de Estocolmo. Está em Lisboa a participar na conferência BOOK 2.0, onde falará sobre a “Longa Revolução” da leitura.
Este autor sueco, cujos livros exploram a relação entre a fé e a sociedade e o papel da religião na vida pública contemporânea, considera que, hoje, “a religião está a ser usada pelos movimentos nacionalistas”.
“Acho que a religião voltou a ser uma moeda política, e está a ser muito usada atualmente por movimentos nacionalistas. Penso que é importante que a liderança religiosa se apresente, manifeste e defenda a religião como uma força para a paz”, aponta o estudioso.
O autor sueco vai mais longe e dá como exemplos “o movimento MAGA nos Estados Unidos”. Classifica-o como um “movimento populista impulsionado por um vocabulário e ideias cristãs”, mas que está a enfrentar “a oposição de líderes religiosos como o Papa Leão XIV que questiona o uso da linguagem religiosa para justificar guerras”.
Questionado sobre se há uma guerra de religiões, Halldorf refere: “Nos últimos anos, temos assistido a muitos conflitos que antes eram entendidos como ideológicos serem agora enquadrados como religiosos. Creio que isso se deve, muitas vezes, à retórica, pois, no fundo, ainda existem questões materiais, mas soa melhor para alguns políticos enquadrar o conflito como religioso”.
À Igreja cabe o papel da diplomacia da paz, indica Joel Halldorf, que aponta o atual Papa como uma figura “mais ponderada”, comparada com o pontificado do Papa Francisco.
“O Papa é mais cuidadoso e reflexivo, mas possui uma forte integridade. Quando emite o seu juízo sobre algo, percebe-se que está em sintonia com o pensamento e o ensinamento social do Papa Francisco, mas utiliza um estilo diferente.”
Recordando as palavras do atual Papa que, “no seu sermão do Domingo de Ramos, citou o profeta Isaías, dizendo que aqueles que oram pela guerra não têm as suas orações ouvidas, porque as suas mãos estão manchadas de sangue”, Joel Halldorf considera “muito importante que os líderes religiosos tirem as armas das mãos dos líderes políticos que tentam politizar a religião de uma forma tóxica”.