Marcelo Rebelo de Sousa: “O problema do livro e da leitura não é da Cultura, é da Educação

Marcelo Rebelo de Sousa: “O problema do livro e da leitura não é da Cultura, é da Educação

  • 15/09/2026 13:52
  • Redação

Marcelo Rebelo de Sousa falacom a liberdade de quem já não exerce o cargo de Presidente da República, diz que assim lhe é “mais fácil” dar opinião. Perante a plateia cheia do Grande Auditório do Centro Cultural de Belém, na conferência BOOK 2.0, o ex-chefe de Estado considerou que “o problema do livro e da leitura não é do pelouro do Ministério da Cultura. É um problema da educação”.

No entender do antigo Presidente que criou a Festa do Livro em Belém, é junto dos mais novos que se criam hábitos de leitura e consumo do livro. Marcelo Rebelo de Sousa diz mesmo que “quanto mais cedo, melhor”.

“É pelas crianças e jovens” que se pode mudar o atual cenário, considera o antigo professor de Direito, que recorda os seus tempos de aulas na universidade onde “o máximo de tempo de concentração que obtinha era de sete minutos” por parte dos alunos.

Numa conversa com o chileno Andrés Allamand, secretário-geral Ibero-Americano, o ex-Presidente defendeu ainda a necessidade de “definir linhas para promover o livro” que passam por “apoiar os editores, não deixar morrer as bibliotecas e multiplicar as bibliotecas escolares e digitais”.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou, também, que é preciso “fazer a discussão em torno da inteligência artificial”. Considerando-a uma ferramenta “ótima”, o ex-Presidente diz, contudo, que tem de ser “acompanhada da consciência”.

O fundador do semanário Expresso falou ainda sobre a necessidade de regulação. “A Europa estuda e aprova essas regras, mas verdadeiramente quem domina o mundo da inteligência artificial são grupos privados americanos e chineses que são públicos por natureza, mesmo quando privados. Isso tem uma consequência terrível. É que quanto menos consciência houver, mais desigualdades há”, lamentou.

Por seu lado, nesta conferência, Andrés Allamand, secretário-geral Ibero-Americano, falou da digitalização para dizer que posições políticas que optam pela “proibição de acesso às redes”, tem “resultado zero, não funciona”, apontou.

Na sua opinião, “temos de retomar o papel das famílias” na educação e “mudar a sala de aula”. Andrés Allamand acha que “os professores não podem competir com a quantidade de informação disponível no digital”, mas podem ajudar a construir “espirito crítico”.

  • Fonte: Rádio Renascença
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