Ed Sheeran abandonado por Finneas, Lukas Graham e banda após apoio de Macklemore à Palestina
- 16/09/2026 00:00
- Redação
"Fomos notificados pelas salas de espetáculos que não vão permitir a realização do concerto com Macklemore no alinhamento, porque resultaria no cancelamento da digressão e afetaria centenas de milhares de fãs", explicou a promotora em comunicado.
E tudo voltou à normalidade? Longe disso. Para além da onda de boicote a Ed Sheeran nas últimas 48 horas nas redes sociais, todos os artistas que abririam os concertos de Sheeran desistiram de atuar para o evento.
Estragaram-se os planos dos próximos concertos de Ed Sheeran pelos EUA. Finneas, Aaron Rowe, Lukas Graham e a própria banda, Beoga, apoiaram a decisão de Macklemore e abandonaram o artista britânico. Um a um, pela causa palestiniana.
"Artistas não devem ser silenciados por se manifestarem contra a opressão", começou por escrever o artista Finneas, irmão de Billie Eilish, na rede social Instagram. "Eu apoio a Palestina e o seu povo."
Já o dinamarquês Lukas Graham acredita que o palco deve ser um espaço livre: "Deveríamos poder falar sobre guerra, sobre civis sendo mortos, sobre crianças que merecem crescer. Onde quer que vivam. Qualquer que seja a sua bandeira."
Apesar de Aaron Rowe reconhecer que Sheeran mudou a sua carreira, o cantor irlandês recusou ser "silenciado" e disse que perderia todo o respeito por si próprio se continuasse a agir com naturalidade.
"Não posso ficar de braços cruzados enquanto os multimilionários usam o seu poder para silenciar as vozes legítimas daqueles que se manifestam contra o genocídio israelita e denunciam o assassinato brutal de crianças", denunciou Rowe.
A banda Beoga que atuava com Sheeran e fazia parte das atuações de abertura também deixou um recado nas redes sociais.
"Somos amigos do Ed há mais de 10 anos, mas tocar em sítios que silenciam qualquer pessoa que defenda uma Palestina livre simplesmente não é uma opção para nós", ressaltaram.
Até ao momento, Ed Sheeran não antecipou que nomes poderão substituir os desistentes, mas já reagiu à polémica sobre Macklemore depois de dizer ao artista que não tomaria lados: "Eu não sou cúmplice. Tenho as minhas próprias opiniões sobre este conflito (...) e a saída de Macklemore da digressão foi uma decisão da promotora, não minha", alega. "O sofrimento e a dor de ambos os lados são uma tragédia humana."
Conhecido por temas como "Shape of You" (2017) e "Perfect" (2017), Ed Sheeran diz que não pretende usar a "plataforma profissional para falar de política" mas como um "lugar de segurança e refúgio", porque o seu público "inclui jovens, muitas vezes crianças, de todas as origens".
"Quem vai aos meus concertos não espera encontrar ali um fórum político", apontou.
De "keffiyeh" (lenço tradicional usado em várias partes do Médio Oriente) atado ao pescoço, Macklemore cantou hits como "Can't Hold Us" (2011), "Thrift Shop" (2012) e "Glorious" (2017), e defendeu a bandeira palestiniana, como o tem feito publicamente desde o final de outubro de 2023.
Perante mais de 50 mil pessoas no estádio norte-americano "MetLife", em Nova Jersey, Macklemore quis aproveitar o momento, no início deste mês, "para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas".
"A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid, ser contra o genocídio não é, de forma alguma, uma crítica a vós. A minha mensagem é pela paz; pelo amor a todos os seres humanos, para que sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade. Por isso, digo: Palestina livre, Líbano livre, Cuba livre, Congo livre, Sudão livre, liberdade para todas as pessoas na América que vivem com medo desta organização terrorista, o ICE", disse o rapper a meio do seu concerto, como costuma fazer em vários pontos do mundo.
Depois de tirar uns minutos para defender uma "Palestina livre", o rapper ainda mostrou imagens da destruição em Gaza e de protestos enquanto cantava a sua canção "Hind's Hall". Na música, Macklemore acusa Israel de genocídio e insiste, mais uma vez, que "nenhum de nós será livre até que todos sejamos livres".
Milhares de internautas criticaram a postura do rapper, exigiram um pedido de desculpas e o reembolso pelo "pesadelo político contra o Estado judaico".
A cantora P!nk, a própria judaica, fez parte do movimento que impulsionou a saída de Macklemore: "Estou a defender o meu próprio povo e sei como isso é solitário, mas estou a fazê-lo na mesma", escreveu nas redes sociais, num recado com mais de 1300 palavras.
"Nunca pedi que outro artista fosse silenciado e não o estou a pedir agora. Não preciso que ninguém seja despedido e não preciso de um reembolso. O que preciso é de poder dizer, enquanto mãe judia, é que isso assustou-me, e assustou pessoas que amo, sem me dizerem que o nosso medo é apenas propaganda e sem me dizerem que, de alguma forma, sou a favor do genocídio só porque reparei nisto", disse.
Para o cantor, não importa ter sido "silenciado", já que conseguiu apelar pela resistência da Palestina a mais de 90 mil pessoas que mostraram "um inegável apoio à causa".
A guerra em curso na Faixa de Gaza foi desencadeada pelos ataques do Hamas a Israel no dia 7 de outubro, que causaram cerca de 1.200 mortos e mais de duas centenas de reféns.
A retaliação israelita já provocou mais de 73 mil pessoas foram mortas pelo exército israelita em Gaza, de acordo com dados do governo de Gaza, sob a autoridade do Hamas, são considerados fiáveis pelas Nações Unidas.
A ofensiva israelita também destruiu quase todas as infraestruturas de Gaza e provocou a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.