Sanna Marin: “Não estão a salvo em Portugal. A Rússia não vai parar na Ucrânia”

Sanna Marin: “Não estão a salvo em Portugal. A Rússia não vai parar na Ucrânia”

  • 16/09/2026 05:38
  • Redação

Sanna Marin esteve na Ucrânia no último fim-de-semana. O comboio em que viajava de regresso à Polónia foi atacado por um drone. Esta “intimidação” russa serviu-lhe para dizer em Lisboa, que “Portugal não está a salvo”.

No segundo dia da conferência BOOK 2.0, organizada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, no Centro Cultural de Belém, a ex-primeira-ministra da Finlândia alertou para as sede imperialista de Vladimir Putin.

Oriunda de um país que faz fronteira com a Rússia, Sanna Marin foi clara ao dizer que “a Rússia não vai parar na Ucrânia”. “Se conseguir vencer vai avançar para a Moldávia, provavelmente para os países bálticos e para outros países europeus”, afirmou.

A finlandesa que se tornou primeira-ministra aos 34 anos, explicou que “com as novas tecnologias” a Rússia consegue “mapear infraestruturas críticas com uma rapidez sem precedentes”.

A autora do livro “Esperança em Ação” (ed. Ideias de Ler) alertou para o facto de a guerra hoje já não ter fronteiras: “É possível lançar drones sobre qualquer sítio e, ao atingir infraestruturas civis, causa-se enormes danos sem enviar um único soldado.”

"Infelizmente, não estão a salvo aqui em Portugal, apesar de a fronteira russa estar muito longe. A Rússia não vai parar na Ucrânia. Putin quer reconstruir esse grande império russo”, rematou Marin.

Na conversa moderada pela cronista do Expresso e comentadora política Maria Castello Branco, Sanna Marin falou também da sua experiência como primeira-ministra e pelo facto de ser mulher. Recordando o “escândalo” que geraram imagens suas a disfrutar de uma noite a dançar com uns amigos apontou a forma como continua a haver um julgamento moral, sobretudo na era das redes sociais.

“Há muitos ataques orquestrados não só contra mulheres, mas também contra as minorias. Muitos são orquestrados por países como a Rússia. Não é orgânico. É sobre poder e controle. Temos de combater isso e apoiar as mulheres que se colocam nesse risco, porque é mentalmente muito mau e temos de as proteger”, referiu.

Lembrando as origens humildes da sua família, Sanna Marin apontou que nunca teria chegado onde chegou “sem o trabalho das gerações anteriores”. Numa mensagem para as gerações mais novas pediu-lhes que “não desesperem”. É preciso ter esperança, apontou. “Através da política podemos mudar a sociedade e o mundo, em conjunto”, afirmou.

A antiga líder do Partido Social-Democrata Finlandês terminou com uma mensagem de esperança que diz lhe ser transmitida pelo exemplo dos ucranianos. “Eles dão-me esperança. Há muita gente que está a combater. A nova geração tem talento, visão e o coração no sítio certo. Temos de assegurar que eles têm os meios. Quero acreditar que há um caminho seguro. Não foi fácil construir a paz depois da segunda Guerra Mundial, mas acho que somos capazes”, rematou.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: