Aumentou o número de cheques-livro utilizados confirma ministra da Cultura
- 16/09/2026 07:35
- Redação
A titular da pasta participou esta quarta-feira na conferência BOOK 2.0, promovida pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Margarida Balseiro Lopes explicou que, no Grande Auditório que “nesta segunda edição que terminou há pouco tempo foram utilizados 45.078 cheques-livros”.
Nas suas palavras os resultados mostram que foi possível “chegar a mais jovens e incentivar esses encontros” com o livro e as livrarias. Margaria Balseiro Lopes concluiu que “há espaço para esse caminho” continuar.
Margarida Balseiro Lopes considera que “os livros, a literatura e a literacia oferecem um olhar com sentido crítico para a realidade”.
“Percebermos que as perguntas complexas não têm respostas simples e que a democracia precisa urgentemente disso. Devemos ter cidadãos exigentes e para isso os livros e a literatura oferecem ferramentas como poucas áreas”, afirmou.
Na conferência, perante uma plateia que trabalha no setor do livro, a ministra alertou para a forma como a “atenção é disputada por múltiplos estímulos” hoje em dia. “Nem tudo pode ser compreendido depressa, há perguntas que não tem resposta imediata e há questões que têm complexidade”, a leitura na opinião de Balseiro Lopes ajuda a ter esse tempo.
A ministra falou ainda sobre os desafios da inteligência artificial. “As tecnologias já transformaram a forma como criamos e a IA está a acelerar essa mudança”, apontou.
“Não podemos impedi-la, a mudança está em curso. A questão é como podemos aproveitar o que a tecnologia nos permite fazer, sem perder o que é essencial proteger. É uma questão importante para o setor”, disse.
Nas suas palavras “a IA pode abrir novas formas de acesso e relação com os conteúdos, mas não elimina a necessidade de reconhecer a origem da criação, e respeitar direitos”.
Nesse sentido, a ministra indicou que “os direitos de autor e os direitos conexos não podem ser entendidos como resistência à inovação - protegem a relação de uma obra com quem a criou, garantem reconhecimento e ajudam a assegurar uma cultura plural feita de muitas vozes e experiências e formas de expressão”.
A ministra concluiu dizendo que “é preciso equilibro” e que isso “exige diálogo” entre agentes de vários setores como o político, o editorial ou o tecnológico.
Antes da ministra da Cultura, no BOOK 2.0 falou Célia Oliveira, professora e Investigadora na Universidade Lusófona. Numa sessão dedicada ao tema “Crescer Distraído: A Crise da Atenção”, a docente alertou para o facto de os jovens gastarem 6,7 horas por dia, ao fim de semana, ligados digitalmente. Durante a semana esse tempo é de 4,5 horas por dia.
Referindo que hoje nesta “ecologia da distração”, também os adultos são afetados, Célia Oliveira indicou que a “capacidade atencional de um adulto é de 47 segundos”.
Apresentando dados de um estudo, a estudiosa falou do “impacto da distração” que o digital gera na cognição, a nível sócio emocional e na aprendizagem nomeadamente no desempenho escolar.
“O antidoto é a leitura”, apontou Célia Oliveira explicando que “favorece o foco e capacidade de atenção sustentada”. “A leitura é um grande equalizador social”, referiu.