Passe Verde vai chegar aos urbanos. Poupança agrada, mas faltam lugares
- 16/09/2026 08:20
- Redação
Na estação de Porto-Campanhã, há ainda quem não saiba que o alargamento vai entrar em vigor.
Ana Vieira, que viaja desde Barcelos, e estava prestes a embarcar no intercidades para Lisboa, considera que a integração dos urbanos é um avanço importante. “Implica que eu não tenha de comprar um extra, para mim é super vantajoso”, explica.
A 21 de agosto, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação tinha anunciado em comunicado que o alargamento do Passe Ferroviário Verde entraria "em funcionamento na terceira semana do próximo mês, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, de 16 a 22 de setembro". Esta quarta-feira, em resposta à Antena 1, o Ministério afirmou que, afinal, "o alargamento do Passe Ferroviário Verde aos serviços urbanos de Lisboa e Porto está a ser operacionalizado, não existindo ainda informação sobre a data de início do seu funcionamento".
O Passe Ferroviário Verde custa 20 euros por 30 dias e, com a alteração que deverá entrar em vigor em breve, passará a abranger também os urbanos da CP nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto. A extensão à Fertagus está prevista, mas ainda não tem data.
Para quem utiliza apenas o comboio, a mudança pode também dispensar a compra de passes intermodais como o Andante ou o Navegante. Já quem combina a viagem ferroviária com metro ou autocarro continua a precisar desses títulos.
Ana Vieira estima que, no seu caso, a poupança possa chegar aos "300 euros por ano".
“É muito bom. Ainda por cima, agora com os preços da gasolina, é surreal usarmos outros transportes que não este”, afirma.
André Matias também reconhece que a diferença no final do mês é significativa e vê no passe uma forma de reduzir os custos das deslocações de comboio.
A poupança não resolve, no entanto, um dos principais problemas apontados pelos passageiros: a dificuldade em reservar lugar nos Intercidades.
Ana Vieira compara o processo à compra de bilhetes para um espetáculo muito procurado.
“Parece que estou a comprar um bilhete para um concerto super concorrido. É 24 horas antes, estou a pôr um despertador e reservo o lugar", diz.
Quando já não há lugares, as alternativas são poucas: “Já me aconteceu não ter e, nesses casos, tenho de optar por outras opções, como o autocarro. Já fiquei um bocadinho atrapalhada e tive de vir de carro.”
A passageira defende, por isso, uma melhor gestão das reservas, sobretudo nos casos em que são feitas e depois não são utilizadas.
Nuno Caçote conhece também a dificuldade. Esta quarta-feira conseguiu garantir lugar, mas diz que são várias as ocasiões em que fica sem bilhete.
Ainda assim, para Ana Vieira, o incómodo compensa. "Sou a favor do Passe Ferroviário Verde e acho que compensa estas loucuras", termina.
[Artigo atualizado às 16:37 com correção da data de início da medida, que estava erradamente indicada como sendo esta quarta-feira. A 21 de agosto, o Ministério das Infraestruturas e da Habitação tinha anunciado em comunicado que o alargamento do Passe Ferroviário Verde entraria "em funcionamento na terceira semana do próximo mês, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, de 16 a 22 de setembro". Esta quarta-feira, em resposta à Antena 1, o Ministério afirmou que, afinal, "o alargamento do Passe Ferroviário Verde aos serviços urbanos de Lisboa e Porto está a ser operacionalizado, não existindo ainda informação sobre a data de início do seu funcionamento".]