Vinícius, Mbappé e as camisolas de apoio a Ceuta. Entenda a polémica
- 16/09/2026 13:15
- Redação
Vinícius Jr. e Kylian Mbappé estão no centro de uma polémica em Espanha, após terem escondido as camisolas de apoio a Ceuta, antes do jogo entre o Elche e o Real Madrid.
Os jogadores das duas equipas receberam camisolas brancas com a mensagem “Todos somos caballas”, uma expressão utilizada para designar os habitantes de Ceuta.
No entanto, Vini e Mbappé, acompanhados por Ibrahima Konaté, também do Real Madrid, taparam parcialmente a inscrição e retiraram as camisolas antes do cumprimento inicial entre as equipas.
A atitude contrastou com a dos restantes jogadores, o que gerou uma onde de indignação em Espanha, face ao seu comportamento.
A iniciativa surgiu num contexto de tensão entre Espanha e Marrocos, relacionado com a situação migratória em Ceuta.
No final de julho, mais de 60 mil marroquinos entraram em Ceuta sem passarem pelo controlo fronteiriço, causando distúrbios e insegurança no território espanhol durante várias semanas.
A cidade autónoma espanhola, localizada no norte de África, tem uma importância particular nas relações entre os dois países, o que fez com que a recusa de transmissão da mensagem de solidariedade fosse interpretada por alguns como uma tomada de posição política contrária aos interesses espanhóis.
A porta-voz do PP, Ester Muñoz, afirma que a atitude dos jogadores lhe deu "bastante vergonha alheia" e considera que os próprios "devem explicar a razão pela qual não querem defender Espanha".
Também José María Figaredo se pronunciou. O líder parlamentar do Vox considera que os atletas "são livres para fazer o que entenderem", assim como "os adeptos são muito livres de se sentirem indignados com três milionários que vivem em Espanha e que depois não apoiam os espanhóis", revelando o seu desagrado para com os jogadores.
Apesar da polémica, não foram divulgadas declarações de Vinícius Júnior ou Kylian Mbappé a explicar diretamente a decisão de esconder ou retirar as camisolas.
O Real Madrid, por sua vez, apoiou institucionalmente a iniciativa, mas respeitou a decisão individual dos jogadores. O clube defendeu que cada futebolista deveria ter liberdade para decidir se queria participar na campanha e de que forma.
A situação decorre também após o aumento das tensões entre as federações espanhola e marroquina acerca da realização da final do Mundial 2030, que ambos irão organizar juntamente com Portugal.