Corrida à IA é "desenfreada" e pode "colocar civilização em risco", alerta Conselho Nacional de Ética
- 16/09/2026 13:14
- Redação
A especialista, que esta semana está em Riade, na Arábia Saudita, a representar Portugal no 4.º Fórum Global da UNESCO sobre a Ética da Inteligência Artificial, lembra que houve recentemente sistemas de IA que conseguiram escapar ao controlo das empresas que os gerem e desenvolvem.
Maria do Céu Patrão Neves recorda o aviso feito por algumas destas empresas sobre os riscos desta tecnologia. “É um quarto clamor de que há efetivamente problemas e que deveríamos desacelerar, ponderar um pouco, para ter a certeza de que o progresso é feito com salvaguardas, para não travar a inovação tecnológica, mas para ter a certeza de que beneficia a sociedade, a humanidade como um todo”, diz a professora catedrática que participa neste encontro que reúne governos, organizações internacionais, especialistas e empresas "para discutir os modelos de governação capazes de acompanhar" a evolução e o desenvolvimento da IA.
A presidente do CNECV considera que, ainda que a União Europeia tenha regulamentação no âmbito da Inteligência Artificial, a atenção ao tema é cada vez mais diminuta. “A nível global, há um interesse cada vez mais reduzido [no assunto] por parte de alguns países. Vimos o presidente Trump dizer que o seu interesse é verdadeiramente nulo em qualquer forma de regulamentação”, afirma Maria do Céu Patrão Neves.
“Havia a ideia de que a Europa conseguiria criar um paradigma e que outros blocos geopolíticos seguiriam esse mesmo padrão de procedimentos. Só que, entretanto, a realidade geopolítica mudou muito e o Regulamento Europeu de Inteligência Artificial não criou esse paradigma”, lamenta a académica, que diz que a própria União Europeia “desacelerou” a implementação das normas que desenvolveu. Aliás, entre os países que participam neste Fórum Global da UNESCO, Portugal é o único Estado-membro da União Europeia presente.
Maria do Céu Patrão Neves defende a necessidade de “uma governança global”. "Os problemas que hoje a Inteligência Artificial coloca são obviamente de natureza global, e por isso não podem ser respondidos apenas a nível local, regional, nacional ou mesmo a nível da União Europeia”, defende, sublinhando que é preciso envolver também as empresas e especialistas.
Durante a participação no 4.º Fórum Global da UNESCO sobre a Ética da Inteligência Artificial, Portugal apresentou projetos como o Guia para a Inteligência Artificial, que permite avaliar projetos de IA a partir de cinco dimensões (responsabilização, transparência, explicabilidade, equidade e ética) e inclui “uma ferramenta de avaliação do risco ético”.