Sé de Lisboa "é uma caixa de surpresas", e vai revelar algumas quando reabrir o claustro

Sé de Lisboa "é uma caixa de surpresas", e vai revelar algumas quando reabrir o claustro

  • 16/09/2026 14:57
  • Redação

Recém eleita como uma das novas Sete Maravilhas de Portugal, na categoria de Religião, a Sé de Lisboa prepara-se para reabrir, ainda este ano, a zona do claustro, encerrado ao público desde 2018, e que agora vai ter um elevador de acesso e muitas novidades em termos de achados arqueológicos.

O claustro não é visitável há oito anos, mas as obras arrastam-se desde 1990, quando foi retirado o jardim interior, e começaram a ser feitas escavações permitiram encontrar achados arqueológicos das civilizações islâmica, romana, medieval e até da Idade do Ferro. "Temos muitas camadas de diferentes 'Lisboas' debaixo dos nossos pés", sublinha Joana Macedo.

Sem data certa para a inauguração do claustro – que terá novos acessos, nomeadamente através de um elevador, pela rua das Cruzes da Sé – a paróquia, e quem ainda vive no bairro, celebram com orgulho a distinção da Sé como uma das Sete Maravilhas de Portugal, na categoria Religião.

"Ao ouvirmos falar as pessoas aqui de Alfama, e da zona do Castelo, percebemos que eles consideram a Sé quase como um membro da família, alguém que esteve sempre ali, que faz parte das suas vidas, não só pela proximidade física, mas também porque têm muitas memórias da Sé, de vir aqui para o claustro brincar, ou porque foram batizados ou se casaram aqui. Então, acho que é um motivo de orgulho para todos nós, não só os que aqui trabalhamos, mas também aqueles que vivem e sempre viveram com a Sé ao seu lado."

Joana Macedo espera que a distinção leve ainda mais pessoas à Sé, onde há um imenso património a descobrir. "Não só na arquitetura, na própria pintura, nas alfaias religiosas que temos no Tesouro da Sé (Museu), as próprias histórias que temos para contar da Sé. É, de facto, um monumento riquíssimo em história e em beleza".

Mandada construir pelo rei D. Afonso Henriques, aquando da conquista de Lisboa, foi projetada em estilo românico, mas sofreu várias alterações e adaptações ao longo dos séculos.

"É um monumento que foi sendo construído, reconstruído, redecorado ao longo dos tempos, não só por necessidade, por catástrofes naturais, mas também pelo gosto pessoal, quer de reis, quer de bispos e arcebispos que foram passando por aqui ao longo dos séculos" explica.

O claustro gótico, que começou a ser construído no reinado de D. Dinis, no século XIII/XIV, é disso exemplo. Já a sacristia é de estilo maneirista (1649). E depois do terramoto de 1755, que destruiu parte do edifício, foram feitos restauros revivalistas, já no século XX.

Situada no coração de Lisboa, a Sé – ou Basílica de Santa Maria Maior – recebe em média 500 mil visitantes anuais, cerca de 40 mil por mês. É a Igreja mais antiga da cidade, onde Santo António foi batizado e onde repousam as relíquias do padroeiro, o mártir São Vicente, que morreu no século IV, em Valência, e que, a pedido do rei português, foram trazidas para Lisboa em 1173. A nau que transportou as ossadas, acompanhada por dois corvos, são hoje o símbolo da câmara municipal de Lisboa.

  • Fonte: Rádio Renascença
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