Sistema de recolha de garrafas e latas continua a dar polémica. Não há Volta a dar?

  • 16/09/2026 14:00
  • Redação

O presidente da Câmara de Lisboa reprova o sistema de reciclagem sobretudo por causa da limpeza. Segundo Carlos Moedas, o Volta está a criar uma pressão enorme sobre a higiene urbana.

O autarca disse que este é um "drama social" sem precedentes, já que se vê dezenas de pessoas nas ruas – principalmente, sem abrigo e toxicodependentes – a virarem os contentores à procura de garrafas e até a entrarem dentro dos ecopontos.

Embora reconhecendo que o objetivo de aumentar a reciclagem é positivo, Moedas disse que esta medida envergonha a cidade e o país.

O presidente da Associação Nacional de Municípios, Pedro Pimpão, disse que tem recebido queixas de vários autarcas. O representante já anunciou que vai fazer um levantamento a nível nacional para perceber quais as dificuldades e constrangimentos que se têm verificado, para propor melhorias.

Na mesma linha, o presidente da Associação Nacional de Freguesias, Francisco Brito, disse que o problema não afeta só os centros urbanos, mas também as localidades mais pequenas.

Brito relembrou que, para além do lixo espalhado, faltam máquinas para colocar as embalagens nas zonas mais remotas de Portugal, o que se confirma com as queixas feitas na DECO por consumidores que não têm acesso ao sistema.

Os ambientalistas acreditam que o projeto é justo e que é uma questão de tempo até serem alcançados melhores resultados. Para já, defendem que é preciso garantir que o sistema de recolha chega a toda a gente.

Segundo a entidade gestora do Sistema de Depósito e Reembolso, a adesão tem vindo a crescer: em cinco meses foram recolhidos mais de 305 milhões de garrafas e latas de bebidas de uso único, com o número de embalagens a triplicar nos últimos dois meses.

Graça Carvalho lembrou, de resto, que a recolha de plástico é uma imposição da União Europeia. O modelo existe em 18 países e alguns também tiveram problemas no início, mas conseguiram resolvê-los e é isso que promete fazer também.

Por exemplo, para travar a acumulação de resíduos, a ministra admitiu que podem ser colocados recipientes separados do resto do lixo apenas para as embalagens que têm retorno.

A meta deste sistema é aumentar a taxa de recolha de plástico e metal: este ano, como só começou em abril, a ideia é chegar a 40% e, em 2027, atingir os 80% até chegarmos a 90% em 2029. Já o objetivo de reciclagem total permanece fixado em 100% para todo o material que é efetivamente recolhido

Cada lata ou garrafa contam e contribuem para reduzir a fatura que o país tem de pagar à União Europeia, relativa ao desperdício de plástico. Só no último ano foi de 200 milhões de euros.

  • Fonte: Rádio Renascença
Envie fotos, vídeos, denúncias e reclamações para nossa equipe pelo E-mail contato@portugalemfoco.pt.

Compartilhar: