Marco Silva: "Não é fácil mudar tanto e os jogadores responderam muito bem. Vão criar mais dúvidas"

Marco Silva: "Não é fácil mudar tanto e os jogadores responderam muito bem. Vão criar mais dúvidas"

  • 16/09/2026 18:02
  • Redação

Marco Silva destaca a resposta dos jogadores menos utilizados do Benfica na inédita vitória (2-0) sobre o AC Milan, na primeira jornada da fase de liga da Liga Europa, com um "grande trabalho tático" da equipa.

"Uma equipa que tem aspirações em quatro competições não pode ter só 13, 14, 15 jogadores. Isso não existe. Os jogadores às vezes não compreendem tão bem, mas em alguns momentos temos de lhes dar a confiança de que nós acreditamos neles. Esta noite foi-lhes dada essa mesma confiança. Não é fácil mudar desta forma e eles responderam muito bem. Vão criar-me ainda mais dúvidas no futuro", salienta o treinador do Benfica, em conferência de imprensa, após o jogo.

O Benfica venceu pela primeira vez o AC Milan e entrou na Liga Europa com um triunfo e os primeiros três pontos, esta quarta-feira.

Análise: "Num jogo desta dimensão os riscos são muito grandes, mas a motivação está nos píncaros. Há mais trabalho tático para se fazer. Os jogadores estiveram brilhantes. Foi uma noite muito boa, não perfeita. Há muita coisa a melhorar, em alguns momentos de jogo temos de saber defender mais alto, tomar outras decisões. Os jogadores foram extraordinários na forma como, num registo um pouco diferente e com questões táticas diferentes, perceberam de um dia para o outro e executaram. O golo cedo trouxe-nos confiança e tranquilidade para encarar o jogo de outra forma, explorámos muito bem, especialmente na primeira parte, os espaços dados. Na segunda parte perdemos algumas bolas que não deveríamos, senão teríamos criado mais. Defensivamente estivemos sólidos, não deixámos o Milan criar muito. Já esperava alguma fadiga, alguns jogadores fizeram pela primeira vez 90 minutos. Senti que ia acabar por acontecer isso. Não podemos fazer as substituições todas, senão teria feito mais ainda. Mas da forma geral, a equipa fez um excelente trabalho. Ganhar ao Milan não é fácil. O Benfica é um clube enorme como o Milan, mas a realidade é que é a primeira vez em jogos oficiais que o Benfica ganha ao Milan. Tivemos essa conversa no último 'meeting' antes sairmos para o estádio."

Benfica é candidato? "Não vou entrar por aí. Disse na minha apresentação que um clube como o Benfica, se estiver na fase de liga da Liga Europa, pela sua dimensão — mas estão lá outros com grande ambição também —, tem de se apresentar com grandes aspirações e ambições. Não faz sentido estar aqui com receio de jogar futebol e encarar os adversários como encarámos esta noite. Não vai ser sempre assim, mas vamos tentar sempre jogar para ganhar e chegar o mais longe possível, que é chegar ao último jogo. É essa a nossa ambição. Mas sabem, claro, que há grandes equipas nesta competição, com enorme poderio financeiro para comprarem quem querem, mas a realidade é que fizemos um grande trabalho.

Dúvidas: "Dúvidas tenho tido algumas e é bom sinal. Temos repetido muitas vezes o onze, não dá tanto a entender isso, mas tenho tido muitas dúvidas e acredito que alguns deles vão criar ainda mais daqui a dois ou três meses. Da minha forma de ver o futebol, tem de ser assim. Uma equipa que tem aspirações em quatro competições não pode ter só 13, 14, 15 jogadores. Isso não existe. Os jogadores às vezes não compreendem tão bem, mas em alguns momentos temos de lhes dar a confiança de que nós acreditamos neles. Esta noite foi-lhes dada essa mesma confiança. Não é fácil mudar desta forma e eles responderam muito bem. Vão criar-me ainda mais dúvidas no futuro, porque temos jogadores de qualidade que se estão a habituar ao clube, jogadores que não tiveram o melhor começo. O Kaminski hoje é um bom exemplo, este tipo de jogos é muito mais para o tipo de jogador que ele é do que jogos em que as equipas estão num bloco muito baixo e estamos em cima do adversário."

Porquê manter Tomás Araújo em vez de Clément Lenglet no onze: "O Lenglet tem muito mais jogos que o Tomás. Começou a jogar desde o dia 23 e quase não descansou. Tem muito mais minutos. A idade também não é a mesma. Todas essas questões pesaram na nossa decisão. Acabámos por não ter aquela saída de perna esquerda de que tanto gostamos, mas hoje construímos muito mais a quatro do que a três. Temos vindo a construir muito mais a três, com o Dahl mais posicional. Hoje como tínhamos o Dodi à direita, não íamos ter o lateral tão subido num primeiro momento. Estrategicamente sabíamos que ia ser importante termos os dois laterais um pouco mais baixo na primeira fase de construção. Optámos pelo Tomás por todas estas questões e muito pela questão dos minutos, que o Lenglet tem vindo a jogar muito mais que o Tomás."

Fácil controlar a euforia no balneário do Benfica? "Começámos muito bem a fase de liga da Liga Europa, simplesmente isso. Uma vitória histórica, dois grandes clubes europeus a defrontarem-se. Em jogos oficiais o Benfica nunca tinha ganho e fica o bom gosto de o termos conseguido. Simplesmente isso, três pontos, começámos esta fase com o pé direito. Sei perfeitamente o grupo de trabalho que tenho, eles precisam de confiança e são humildes o suficiente para perceber que estamos no começo. Tenho a certeza que não há aqui euforia absolutamente nenhuma."

Ruben Amorim: "A relação que tenho com o Ruben é muito boa. Ele sabe que sempre que não for contra mim, estarei a torcer por ele. Ele naturalmente faz o mesmo. Há um respeito muito grande entre nós."

Rotação: "Agora é fácil falar, mas eu disses desde a primeira hora que só faz sentido assim. Os jogadores sabem desde o primeiro dia, desde que cheguei ao Benfica. Não teremos ter uma época boa só com 11 ou 12 jogadores e eles têm de perceber isso. Eu gosto da insatisfação de quem não joga tanto, desde que seja dentro dos limites, e tem sido. Isso só demonstra a capacidade que eles têm de perceber a dimensão do clube em que estão. Podemos lutar em muitas competições pelos nossos objetivos."

Análise: "Grande trabalho tático da equipa. A falta de energia apareceu em alguns jogadores que não têm jogado tanto, mas foi um grande trabalho tático da equipa, perceberam perfeitamente o que queríamos fazer de diferente, especialmente no posicionamento defensivo. Com bola fomos praticamente a mesma equipa, só não construímos tanto a três com o lateral-esquerdo; construímos a quatro, porque sabíamos que íamos ter de ser capazes de ter sempre um lateral livre na nossa primeira fase de construção, pela forma como o Milan nos ia pressionar. Foi isso que aconteceu praticamente durante todo o jogo, na primeira parte mais visível. Ganhámos sem sofrer golos, num campo muito difícil, contra um adversário a que o Benfica nunca tinha ganho. Disse isso aos jogadores. Este tipo de recordes difíceis de bater estão lá para alguém o conseguir fazer. Dar os parabéns aos jogadores. Senti algo de especial e diferente quando chegámos ao relvado, a receção dos adeptos foi boa demais e os jogadores corresponderam. Mas são só três pontos. Começámos com o pé direito e agora vamos ter de descansar para preparar o próximo jogo."

Anatoliy Trubin: "Trabalho que qualquer profissional sério tem de fazer. Independentemente da insatisfação, o Trubin vinha trabalhando muito e bem. Isso é o mais importante para mim. Excelente jogo da parte dele, mostra a qualidade que tem. Jogo em paz, foi comandando quando tinha de ser, ajudou a manter a baliza a zeros."

Jakub Kaminski: "Grande jogo tático da parte dele, dá-nos capacidade para fechar a cinco, é o ala no nosso plantel com mais capacidade para o fazer. Em jogos deste género, com campo mais aberto e adversários que se expõem mais, tem potencialidades que podemos explorar e foi isso que fez hoje. Estou feliz por ele. Fez um grande trabalho, tem vindo a trabalhar. Em alguns momentos as coisas não lhe correram tão bem e tem jogadores de grande nível a lutar pelo espaço com ele. Quando a oportunidade chega para ele, tem de fazer o que fez hoje. Foi decisivo, ajudou a equipa com e sem bola, e acabou por ser decisivo com uma grande finalização."

Segundas linhas mostraram qualidade: "Dá dores de cabeça muito boas. Em 11 dias não queríamos pôr o mesmo onze a jogar quatro jogos, não queríamos correr riscos de lesões e quisemos passar uma mensagem de confiança a quem trabalha tão forte e não tem estado nos jogos. Vêm aí muitos jogos. A equipa tem respondido bem. Agora, descansar. Não vamos ter muito tempo para celebrar."

  • Fonte: Rádio Renascença
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