Viagens para o estrangeiro atingem novo recorde em 2025, mas travam com conflito no Médio Oriente

Viagens para o estrangeiro atingem novo recorde em 2025, mas travam com conflito no Médio Oriente

  • 17/09/2026 03:00
  • Redação

No último ano, os portugueses realizaram 3,858 milhões de viagens ao estrangeiro, mais 12,5% do que no ano anterior. Este é um número alcançado pela primeira vez. Em valor, foram ultrapassados os 7 mil milhões de euros, mais do dobro do valor registado em 2016.

São dados de vários organismos públicos, como o Instituto nacional de Estatística, o Turismo de Portugal, o Eurostat e o Banco de Portugal. Segundo a ANAV - Associação Nacional das Agências de Viagens, os números confirmam que o turismo “entrou num novo patamar”, depois do violento abanão registado com a pandemia de Covid-19.

No primeiro trimestre do ano, os residentes em Portugal realizaram 923,8 mil viagens ao estrangeiro, mais 30% do que no mesmo período de 2025. Mas entre abril e junho já se registou uma retração, para os valores do último ano.

Ainda assim, “passou a ser um lugar-comum para os portugueses viajar”, descreve Miguel Quintas. Os destinos não têm variado muito, passam sobretudo por Espanha, que continua a atrair o maior número de portugueses (39%), seguida de França, Itália, Reino Unido e Alemanha. Nas viagens mais longas, os destinos preferidos são Caraíbas e Cabo Verde.

A ANAV conclui ainda que as deslocações estão mais dispersas pelo ano. A maioria já não viaja no verão, entre julho e setembro, hoje dois terços (66%), opta por viajar no resto do ano.

Para a ANAV, esta “procura durante a época intermédia representa uma oportunidade crescente para consumidores e empresas, permitindo maior flexibilidade na escolha de datas e destinos e criando condições para uma distribuição mais equilibrada da atividade turística ao longo do ano”.

Apesar de viajarem mais, os portugueses estão a gastar menos em cada deslocação. Em 2025, a despesa média por viagem foi de 803,2 euros, uma redução de 4,8% face a 2024. No entanto, como o número de viagens aumentou, a despesa total também cresceu, para cerca de 3,10 mil milhões de euros.

Por outro lado, viajar para o estrangeiro é hoje “significativamente mais caro”. Entre 2016 e 2025, os preços do transporte aéreo aumentaram 31% e os dos pacotes internacionais 29,6%, “acima da inflação geral de 24,9% no mesmo período”.

A intermediação profissional, através de agências de viagem, é sobretudo procurada para deslocações ao estrangeiro. Em 2025, 26,7% das viagens externas foram realizadas através de uma agência ou operador, “uma proporção cerca de 4,1 vezes superior ao peso da agência no conjunto das viagens”.

“O crescimento do número de viagens, a dispersão da procura ao longo do ano e o aumento do volume de viagens organizadas demonstram que existe um papel cada vez mais relevante para as agências de viagens na informação, comparação, aconselhamento e assistência ao viajante”, considera Miguel Quintas, presidente da ANAV.

  • Fonte: Rádio Renascença
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