"Caminho estúpido": Montenegro critica guerra no Médio Oriente
- 17/09/2026 05:00
- Redação
Um "caminho estúpido". São estas as palavras escolhidas pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, para descrever a opção de continuar a travar uma guerra no Médio Oriente.
Durante um discurso, esta quinta-feira de manhã, na abertura da Conferência Europeia da Economia Alemã, em Lisboa, o chefe do Governo português sublinha que a guerra "aparente interminável" está a "penalizar muito" as economias mundiais.
"É, sob o ponto de vista económico, verdadeiramente uma situação insustentável. Chega mesmo a ser absurdo", começou por classificar.
Luís Montenegro garante que tem "insistido" com os parceiros europeus para que juntos "ponham cobro" ao conflito, e depois usa uma expressão mais forte, apesar de nunca mencionar os Estados Unidos ou Donald Trump, que reacenderam este foco no Irão.
"É um caminho, do ponto de vista económico e social estúpido, não beneficia ninguém, prejudica-nos a todos, não tem um racional, não tem um sentido", afirmou o primeiro-ministro nesta conferência.
Montenegro acredita que "podemos e devemos proteger o mundo das ameaças, das ameaças terroristas, das ameaças nucleares", mas sublinha que não se deve "pôr as pessoas a sofrer" para controlar "fatores que não conseguimos dominar".
Luís Montenegro destacou ainda a importância de estabelecer "parcerias económicas e sociais", mencionando o Mercosul, África, os países do Golfo, o Sudeste Asiático, os Estados Unidos e também o Canadá - que tem feito uma aproximação clara à União Europeia, levando Donald Trump a ameaçar com novas tarifas.
O primeiro-ministro abordou este tema para evidenciar o que considera ser o "excelente desempenho económico" que Portugal tem registado, mesmo perante um cenário adverso. Luís Montenegro anuncia que o país vai voltar a registar um excedente orçamental.
"Vamos a caminho do nosso quarto superávit consecutivo, temos as nossas contas públicas equilibradas", revelou.
O primeiro-ministro lembrou que em Portugal, no ano passado, os trabalhadores tiveram uma valorização média de 15%: "Não é um número qualquer, é mais ou menos dois ordenados mensais".