"Fui eu que sugeri Armando Vara": Teixeira dos Santos afasta Sócrates da escolha do amigo para administração da CGD

"Fui eu que sugeri Armando Vara": Teixeira dos Santos afasta Sócrates da escolha do amigo para administração da CGD

  • 17/09/2026 11:46
  • Redação

O antigo ministro das Finanças Teixeira dos Santos foi, esta quinta-feira de manhã, ouvido pelo coletivo de juízes da Operação Marquês, no julgamento que decorre no Campus de Justiça, em Lisboa.

O Ministério Público aproveitou o momento para o questionar sobre a indicação de Armando Vara – arguido no processo – para a administração da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O ex-governante foi rápido na resposta, dizendo que a escolha foi sua e com base no trabalho que já vinha sendo feito no banco público. O procurador quis saber se em algum momento o ex-primeiro-ministro José Sócrates tinha sugerido o nome, ou tido alguma interferência, ao que Teixeira dos Santos respondeu que "não".

“Quando lhe falei de Armando Vara perguntou-me até se tinha a certeza, alertando que iria gerar algum ruído mediático com a mudança na administração”, respondeu o antigo ministro.

Teixeira dos Santos diz que o facto de saber da amizade existente entre Vara e Sócrates nunca pesou na escolha que fez.

Garantiu ainda que, no caso do empreendimento de Vale do Lobo, nunca foram dadas indicações para que a CGD viabilizasse um crédito que dá origem a algumas páginas da acusação deste processo.

Falando do projeto TGV, Teixeira dos Santos afirmou que a alta velocidade teve trajetos (PPP) suspensos por motivos financeiros, tendo em conta recomendações numa altura de crise, em 2008.

Questionado sobre uma reunião que juntou o então ministro das Obras Públicas Mário Lino, José Sócrates e o júri do concurso público para a linha do TGV Poceirão-Caia, garantiu desconhecer por completo.

A reunião foi mote para uma questão dirigida antes a Mário Lino, outro dos ex-ministros ouvido esta quinta-feira em audiência como testemunha.

Explicou ao tribunal que a reunião não era habitual, mas serviu apenas para o primeiro-ministro ficar a conhecer melhor condicionantes apresentadas pelo júri e que era preciso suprir.

Sublinhou que o ex-primeiro ministro não teve qualquer interferência na antecipação do concurso da linha do TGV Poceirão-Caia (tal como aponta a acusação do Ministério Público), pelo contrário estava contra por considerar que primeiro teria de vir o estudo de impacto ambiental.

“Considerei que o facto de lançar o concurso não infringia nenhuma regra, o presidente do júri estava de acordo, o primeiro-ministro não estava muito virado para isso (…). Achei que se ganhava algum tempo antecipando o concurso, não gosto de empatar e fazer o que tem de ser feito logo e com rigor “, afirmou Mário Lino, em tribunal. No entanto, a antecipação nunca viria a acontecer.

Para esta tarde, está previsto o testemunho de Mendonça Mendes, ex-ministro das Obras Públicas e Transportes.

  • Fonte: Rádio Renascença
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