Pescadores franceses levantam bloqueios após três dias de protestos contra preço dos combustíveis
- 17/09/2026 05:51
- Redação
Os pescadores franceses aceitaram levantar os bloqueios em vários portos da costa mediterrânica, esta quinta-feira, depois de seis horas de negociações com o Governo, pondo fim a três dias de protestos contra o aumento dos preços dos combustíveis e o agravamento das condições de trabalho.
Durante a manhã, em Nice, cerca de 15 barcos de pesca foram posicionados na entrada do Port Lympia, impedindo a entrada e saída de embarcações. Segundo a estação de televisão "TF1", uma embarcação da Corsica Ferries foi obrigada a regressar ao largo.
A ação fez parte de um movimento de protesto que se alargou ao longo da costa mediterrânica francesa, com bloqueios também em Frontignan, Sète, Fos-sur-Mer, Port-la-Nouvelle e Le Grau-du-Roi.
Segundo a "Reuters", em Frontignan, próximo de Sète, entre 150 e 200 pescadores impediram a entrada e saída de veículos de um depósito de petróleo.
Os manifestantes queimaram pneus e paletes de madeira para bloquear os acessos à instalação e chamar a atenção para o impacto do preço dos combustíveis na atividade pesqueira.
No porto de Sète, cerca de 30 embarcações participaram igualmente no protesto, enquanto em Le Grau-du-Roi, no departamento de Gard, o porto também esteve bloqueado.
Um representante dos pescadores de Hérault, Ange Natoli, em declarações à "TF1", descreveu a ação em Nice como "simbólica", uma vez que o porto é utilizado sobretudo para atividades náuticas de recreio.
Os pescadores contestam sobretudo a subida dos custos dos combustíveis, que consideram estar a comprometer a atividade e as condições de trabalho.
O preço médio do gasóleo em França subiu para 2,365 euros por litro, enquanto a gasolina sem chumbo 98 atingiu 2,245 euros e a sem chumbo 95 chegou aos 2,223 euros por litro.
Trata-se de valores médios nacionais, sendo que os preços praticados podem variar significativamente entre postos de abastecimento.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, prolongou na quarta-feira os apoios de emergência aos combustíveis. O Governo tinha também em consideração o prolongamento, até ao final do ano, do mecanismo específico de apoio aos pescadores.
De acordo com as medidas em discussão, o apoio poderá passar de 25 para 35 cêntimos por litro.
Representantes das organizações de pescadores do Mediterrâneo reuniram-se esta quinta-feira, em Paris, com a ministra delegada para o Mar e as Pescas, Catherine Chabaud.
Após seis horas de negociações, os pescadores concordaram em levantar os bloqueios em vários portos do Mediterrâneo, segundo a governante, citada pela "Reuters".
"Os pescadores estão a ser estrangulados, sufocados. Os pescadores são a 'espécie' mais ameaçada no Mediterrâneo", afirmou Gérard Corrodano, representante dos pescadores em La Ciotat, à "Reuters".
Os protestos decorreram num contexto de crescente pressão sobre o Governo francês devido aos preços da energia. Na terça-feira, trabalhadores de vários setores, desde a energia às forças policiais, também estiveram em greve por questões que incluíram salários e combustíveis.
A contestação ocorre enquanto o Governo prepara o Orçamento do Estado para 2027. Lecornu anunciou um plano de poupanças de 54 mil milhões de euros para tentar controlar o défice público, garantindo que não pretende aumentar impostos.
"No total, se este orçamento não incluísse quaisquer medidas de poupança, o défice de 2027 ultrapassaria 6,5% do PIB", afirmou Sébastien Lecornu ao jornal "Le Figaro".