"Não me parece que faltem meios". Gouveia e Melo lamenta "falta de estratégia" no combate ao narcotráfico
- 17/09/2026 15:44
- Redação
O problema não são os meios, mas a estratégia. O almirante Gouveia e Melo discorda das queixas recorrentes Associação de Inspetores e Chefes da Polícia Marítima, diz que não há falta de homens nem de embarcações nas autoridades para combater o narcotráfico e que é preciso, sim, “mais persistência”.
Esta quinta-feira, a Polícia Marítima anunciou a apreensão de mais uma lancha de alta velocidade na barra do estuário do Tejo, com alegadas ligações ao tráfico de droga.
“Não parece que faltem meios. O que falta, muitas vezes, é estratégia, persistência. No entanto, se fizermos todos o nosso trabalho, nós dificultamos a linha de entrada nesse negócio. Tirando esses atores do sistema, temos menos droga nas ruas, menos recursos, criando mais crime e criando lavagem de dinheiro”, aponta.
Outra das soluções pode passar por alterações na lei, que permitam facilitar a apreensão de certas embarcações como lanchas rápidas. Na leitura de Gouveia e Melo, é “incompreensível” que estas mudanças legislativas demorem “demasiado tempo” e permitam aos fabricantes mudar as rotas de Espanha para Portugal e aproveitar os diplomas menos exigentes.
“Qual é a necessidade de termos embarcações que andam a mais de 30 nós na água? É por diversão? As pessoas gostam de andar aos saltos dentro d'água? Essas embarcações deviam ser proibidas, claro, para determinados fenómenos como corridas, mas seriam autorizadas muito pontualmente. A legislação para proibir essas embarcações demorou imenso tempo. Ainda hoje, não é perfeitamente clara. Temos de ser mais duros”, remata.