Administração Trump reduz proteção de espécies ameaçadas

Administração Trump reduz proteção de espécies ameaçadas

  • 17/09/2026 16:35
  • Redação

O governo norte-americano reduziu o alcance das proteções a espécies ameaçadas, estabelecendo que a morte acidental de animais protegidos deixará de ser considerada ilegal, segundo um memorando governamental divulgado pela organização Center for Biological Diversity.

O documento, datado de 14 de setembro, cuja autenticidade foi confirmada à agência de notícias "AFP", redefine o conceito de "captura" ("take"), um termo jurídico que abrange atos como perseguir, matar ou capturar uma espécie.

Esta nova interpretação da principal legislação norte-americana de proteção da vida selvagem passa a excluir mortes de animais causadas indiretamente por certas atividades humanas, como a pesca comercial ou a exploração madeireira.

"Um navio que atinge acidentalmente uma baleia não a 'capturou', uma vez que a trajetória não foi direcionada contra a baleia", refere o documento, citando o falecido juiz conservador do Supremo Tribunal dos Estados Unidos Antonin Scalia.

"Derrubar uma árvore não constitui uma 'captura' dos morcegos que nela se abrigam, a menos que a árvore seja derrubada com o objetivo de matá-los ou capturá-los", acrescenta o documento.

O texto é assinado por Brian Nesvik, diretor da agência federal responsável pela preservação da vida selvagem nos Estados Unidos, United States Fish and Wildlife Service (FWS). O departamento responsável pela gestão de terras federais, ao qual a agência está vinculada, confirmou à "AFP" a autenticidade do documento.

"Este memorando reflete fielmente as diretrizes" da agência "sobre a aplicação da Lei de Espécies Ameaçadas após a adoção da regra definitiva que elimina a definição regulatória do termo 'prejuízo'", indica o texto.

Organizações de proteção ambiental criticam as mudanças por considerarem que alteram o equilíbrio estabelecido entre a atividade económica e a proteção necessária da vida selvagem, levando algumas espécies à beira da extinção, afirmou a vice-presidente da organização internacional Oceana, Beth Lowell.

  • Fonte: Rádio Renascença
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