Desigualdade salarial: “Estamos fartas”

Desigualdade salarial: “Estamos fartas”

  • 18/09/2026 03:30
  • Redação

Sara e Ana Luísa são futuras designers. Preparam-se para ingressarem no mercado de trabalho quando terminarem o mestrado dentro de dois anos e não vão ao engano. Sabem nem sempre há igualdade salarial entre homens e mulheres.

“Sim, sim, já tenho noção que posso estar no mesmo cargo e estar a receber menos só por ter uma diferença de género, infelizmente”, lamenta Ana Luísa, estudante da Universidade do Minho .

“Ficarmos no nosso canto só vai aumentar a problematização dessa situação”, explica Sara.

“Se ficarmos caladas e defender aquilo que não é certo para nós, também não conseguimos mudar”, acrescenta Ana Luísa reconhecendo que as mudanças nem sempre são “fáceis ou rápidas”.

“Desde sempre as mulheres foram vistas como menos que os homens, então essa ideia já vem desde há muitos anos”, critica Sara. “Na verdade, estamos fartas”, remata Ana Luísa.

Segundo dados publicados em 2025, em média as mulheres ganham menos 15% no nosso país. Uma corrida em que ser do sexo feminino é sinonimo “desvantagem logo à partida”, alerta o especialista em mercado laboral , João Cerejeira.

“ Na entrada na carreira, já temos uma desigualdade salarial de 12%”, avança o economista explicando que “a desigualdade salarial tende a ser mais reduzida na entrada e depois tende a ampliar-se ao longo da carreira”.

“ Há vários estudos que mostram que as interrupções por via do nascimento dos filhos tendem a ser uma interrupção também nessa progressão. Mas de facto já existe uma desvantagem inicial”, reconhece.

Para o economista, a implementação da Diretiva Europeia de Transparência Salarial – e que o atual executivo falhou - poderia ser uma” importante ferramenta no combate à desigualdade”.

Trata-se da “questão da informação sobre salários, nomeadamente, quando se coloca os anúncios”, refere o economista lamentando que hoje em dia “quem compra o trabalho [os empregadores ] tem mais informação do que quem vende o trabalho” [trabalhadores].

“Atualmente as pessoas colocam nas redes sociais as pessoas a vida toda, para onde vão de férias, o que é que fazem, o que é que não fazem, o que é que comem, o que não bebem. Mas ninguém coloca quanto é que ganha”, apontou.

“Somos muito públicos atualmente, mais na questão salarial do que a outros níveis”

O que é certo, lembra João Cerejeira, é que com a desigualdade de género é o país e a economia que ficam a perder.

“Quando há desperdício de talento, então o país perde”, admite o também professor da universidade do Minho lembrando que “quando as mulheres não entram no mercado de trabalho, a economia perde”.

Em Portugal, as mulheres continuam a ganhar menos do que os homens nas mesmas funções. A diferença ronda os 244 euros por mês, mas pode chegar aos 835 nos cargos mais qualificados.

  • Fonte: Rádio Renascença
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