Sacerdote assassinado a tiro no México. Igreja denuncia "situação alarmante de violência"

Sacerdote assassinado a tiro no México. Igreja denuncia "situação alarmante de violência"

  • 18/09/2026 05:44
  • Redação

Um sacerdote católico foi assassinado a tiro no México, num novo episódio de violência que atinge a Igreja naquele país. O padre Román de la Cruz Hernández, de 48 anos, era pároco da comunidade de Santa Cruz, em Huejutla, no estado de Hidalgo, e foi encontrado morto junto a uma estrada.

Segundo a Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre), que cita informação da Conferência Episcopal Mexicana, o crime ocorreu na terça-feira, 15 de setembro. O corpo do sacerdote foi localizado no dia seguinte, na berma da estrada entre as localidades de Tolago e Tetlapaya.

A Conferência Episcopal Mexicana manifestou "indignação e tristeza" perante o assassinato e pediu às autoridades uma "investigação exaustiva" que permita esclarecer as circunstâncias do crime.

Também a Diocese de Huejutla apelou à intervenção das autoridades perante aquilo que o bispo D. José Acosta Beltrán descreve como uma "situação alarmante de violência" no país.

O prelado defende que "se faça justiça e não se permita que este caso nem os demais crimes" que atingem o México fiquem impunes, segundo a informação divulgada pela Fundação AIS.

A imprensa local refere que, junto ao corpo do sacerdote, terá sido encontrado um bilhete com uma mensagem ameaçadora. O conteúdo da mensagem não foi divulgado.

As autoridades mexicanas terão, entretanto, iniciado uma investigação ao homicídio.

Román de la Cruz Hernández era pároco de Santa Cruz desde 2024 e desempenhava também funções na Comissão para a Pastoral Profética da Diocese de Huejutla.

A região onde exercia o ministério é marcada pela presença de grupos criminosos que disputam rotas de tráfico de combustível, num contexto de elevada violência e criminalidade.

O assassinato ocorre num país onde, segundo o mais recente relatório da Fundação AIS sobre a liberdade religiosa no mundo, a violência também tem afetado sacerdotes, missionários e leigos ligados à Igreja.

O documento indica que pelo menos 13 líderes religiosos foram assassinados, em 2023 e 2024, no México, Colômbia, Equador, El Salvador, Guatemala e Honduras.

A Fundação AIS contabiliza ainda 16 missionários e leigos assassinados em contextos pastorais no Equador, Haiti, Honduras e México, além da morte de outros nove leigos no México no início de 2025.

A organização ressalva, contudo, que não existem provas que permitam afirmar que todos estes crimes tenham sido motivados por ódio à fé. Os casos refletem, segundo o relatório, a insegurança que envolve o trabalho pastoral em zonas marcadas por conflitos e criminalidade.

A AIS alerta ainda para situações de extorsão de igrejas e líderes religiosos no México, nomeadamente através da exigência de pagamentos sob o pretexto de garantir proteção perante grupos criminosos rivais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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