Estarreja tem um museu sem bilheteira: ESTAU celebra 10 anos de arte urbana

Estarreja tem um museu sem bilheteira: ESTAU celebra 10 anos de arte urbana

  • 18/09/2026 07:42
  • Redação

Em Estarreja, para visitar um museu não é preciso comprar bilhete, esperar pela hora de abertura ou sequer entrar num edifício. Basta sair à rua. É essa a proposta do ESTAU – Estarreja Arte Urbana, que assinala este ano uma década de vida e transforma, desde 2016, o concelho numa verdadeira galeria de arte a céu aberto.

Na sua 7.ª edição, o festival decorre até domingo, dia 20 de setembro, com pintura mural, instalações, música, exposições, oficinas, cinema, teatro e projetos de participação comunitária.

Ao longo de dez anos, o ESTAU deixou cerca de 100 obras, assinadas por 54 artistas, 36 portugueses e 18 estrangeiros. Murais e instalações que passaram a fazer parte da paisagem de Estarreja e, para quem por lá vive, quase da mobília urbana.

Este ano, a celebração faz-se com "10 anos, 10 intervenções", reunindo trabalhos de artistas como Theic, do Uruguai, Mura, do Brasil, e os portugueses Third, Mariana Malhão, Nuno Sarmento, Maze e Noiserv, entre outros.

As novas intervenções continuam a olhar para a identidade local. Há espaço para as Festas de Santo António, o arroz, a construção naval, os moliceiros e até para a herança de Egas Moniz.

Egas Moniz, aliás, tinha uma relação especial com a arte. À porta da casa onde viveu em Estarreja pode ler-se: "as grandes escolas das Artes plásticas são os Museus".

A programação não se fica pelas paredes. O ciclo de música "Sala de Estar" leva concertos a diferentes espaços públicos da cidade: Les A Les atuam esta sexta-feira, às 21h30, no Jardim da Casa dos Magistrados), noiserv & OJE Formação, no sábado, às 21h30, na Praceta do Mercado Municipal e O GAJO, no domingo, às 18h30, na Praça Francisco Barbosa.

Também há espaço para pôr literalmente as mãos na massa. Ou, neste caso, no plástico. O projeto "Chão Comum" transforma resíduos plásticos em matéria de expressão artística, recuperando a tradição da tecelagem e envolvendo a CERCIESTA.

Quem preferir técnicas mais tradicionais pode experimentar o "Bordado com Plantas", com a artista aveirense Sara Ratola, sábado, às 14h30, na Biblioteca, ou aprender a fazer "Esteiras de Bunho", com Maria Aldina Costa e Carlos Fernandes, domingo, às 14h30, também na Biblioteca.

Há ainda exposições, teatro e uma instalação em miniatura em "Um Tesouro na Palma da Tua Mão", que recupera memórias ligadas ao arroz e à antiga "Hidro-Eléctrica" de Estarreja.

Para quem quiser perceber onde estão as obras e conhecer as histórias por detrás delas, o festival promove visitas guiadas ao roteiro de arte urbana.

No sábado, às 17h00, há uma visita de autocarro pelas freguesias, com intérprete de Língua Gestual Portuguesa. No domingo, às 10h00, repete-se a visita de autocarro e, às 17h00, há uma visita a pé pelo centro da cidade.

As visitas são gratuitas, mas têm inscrição obrigatória e lugares limitados.

E, para quem não conseguir ir este fim de semana, não há problema: o museu continua aberto. O roteiro de arte urbana pode ser visitado livremente através da APP Sentir Estarreja, ou através de visitas guiadas disponíveis ao longo do ano.

Em Estarreja, portanto, a pergunta deixou há muito de ser "onde fica o museu?". É só olhar à volta.

  • Fonte: Rádio Renascença
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