Igreja na Europa: mais do que "recuperar influência", tem ser farol de tolerância e comunhão

Igreja na Europa: mais do que "recuperar influência", tem ser farol de tolerância e comunhão

  • 18/09/2026 07:49
  • Redação

"Numa Europa marcada pela fragmentação, pela solidão, pela polarização, pelos nacionalismos e pela crise de confiança nas instituições, a Igreja é chamada a oferecer uma experiência concreta de comunidade, capaz de acolher a diversidade sem a transformar em divisão". A CEP reconhece que o caminho tem sido "exigente", mas o balanço é positivo.

"Uma das conclusões mais significativas destes dias é que a sinodalidade tem acontecido de forma muito mais ampla e profunda do que aquilo que é imediatamente visível. A diversidade de ritmos, experiências e formas de concretização nas Igrejas locais não deve ser entendida como um obstáculo, mas como expressão da riqueza cultural e eclesial da Igreja na Europa, nas diferentes geografias e ritos".

A sinodalidade acontece muitas vezes "silenciosamente", mas respeitar os ritmos diferenciados "é também uma forma de reconhecer que a comunhão não exige uniformidade". E, é neste sentido que a Igreja pode e deve ser exemplo, com o processo desencadeado pelo Papa Francisco, e que prossegue, agora com o horizonte na Assembleia Eclesial de 2028.

"A diversidade cultural europeia, longe de ser apenas um desafio, pode tornar-se uma riqueza quando é vivida na lógica do encontro e da comunhão", sublinha a CEP, considerado que as comunidades cristãs têm aqui "uma responsabilidade particular: ser um espaço onde pessoas diferentes podem caminhar juntas, escutar-se, reconciliar-se e reconhecer que a unidade não significa pensar todos da mesma maneira, mas permanecer unidos em Cristo".

O comunicado diz que o encontro na Áustria permitiu "sublinhar que pelo Batismo todos temos igual dignidade e todos somos impelidos a participar na missão da Igreja, ainda que com responsabilidades e ministérios diferenciados". "Não se trata de eliminar a autoridade nem de a substituir por uma lógica de reivindicação ou de transferência de poder", mas é preciso ser efetivo na ação, porque "uma Igreja verdadeiramente sinodal não é apenas uma Igreja que consulta, mas uma Igreja que, em comunhão, discerne caminhos e assume responsabilidades".

"Num continente profundamente secularizado, envelhecido e culturalmente diverso, onde se acentua uma crise de valores e de sentido, a Igreja tem nas mãos uma possibilidade singular: testemunhar, pela sua própria vida, organização e ação, que é possível construir comunhão. Mais do que procurar recuperar influência ou ocupar espaços, a Igreja é chamada a tornar Cristo presente através de comunidades vivas, acolhedoras e missionárias, onde a oração, a liturgia, a Palavra de Deus, a formação, o serviço e a fraternidade sejam experiências concretas de Evangelho", sublinha ainda a equipa sinodal da CEP.

O simpósio europeu em Wels, na Áustria, decorreu de 14 a 17 de setembro, reunindo cerca de 180 participantes de 31 países e 29 Conferências Episcopais.

  • Fonte: Rádio Renascença
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